Peugeot 408 Plug-In Hybrid 240: familiar convincente e versátil

Já lá vão quase quatro anos quando a marca do leão surpreendeu os seus seguidores com um invulgar e disruptivo SUV coupé ao estilo de um fastback, em contraponto à estética convencional dos seus rivais mais directos.

Pois o Peugeot 408 renova essa postura com um visual ainda mais assertivo e tecnológico por dentro e por fora, sem perder o charme e a versatilidade que o definiu desde o primeiro momento, logo patente na nova cor Verde Flare de série.

Já com preços definidos e reservas abertas no nosso país desde Fevereiro, os primeiros exemplares estão agora a chegar aos concessionários nacionais nas variantes micro híbrida, híbrida plug-in e eléctrica.

Antes, no entanto, o Aquela Máquina teve a oportunidade de testar pelas ruas de Marselha e arredores, o híbrido de ligar à ficha eléctrica com os seus 241 cv de potência… e não ficou desiludido!

Disrupção sofisticada

Primeiro ponto a reter no renovado Peugeot 408 é o visual dinâmico e sofisticado que exibe, com a secção frontal redesenhada a ser dominada pela assinatura luminosa em forma de três garras e pelo símbolo da marca iluminada ao centro da grelha

A traseira também foi retocada, embora de forma mais ligeira, mas o suficiente para apreciar a nova faixa luminosa com as três garras nos farolins, enquanto o logótipo também desapareceu para lugar ao luminoso nome da insígnia.

Com os seus 4,69 metros de comprimento, uma certeza é que esta evolução dá-lhe uma postura na estrada ainda mais robusta, ao ponto dos 1,85 metros que tem de largura parecerem muito mais largos nas estradas apertadas por onde acelerámos.

Interior (quase) igual

Se por fora os arranjos estéticos são notórios, o mesmo não acontece a bordo ao manter a configuração do antecessor, com o i-Cockpit a ser dominado pelo painel de instrumentos de dez polegadas, agora com novos grafismos.

Encastrado ao centro do tabliê está o ecrã de dez polegadas para o infoentretenimento, embora os menus por vezes confusos exijam um período de adaptação, combinado com os atalhos físicos i-Toggles para as funções mais comuns.

Os bancos, os materiais e os acabamentos nos níveis de equipamento Allure e GT que compõem a gama estão mais refinados, mas o que sobressai mesmo é o imenso espaço para quem viaja atrás como já antes acontecia.

Os 2,79 metros que separam os dois eixos fazem dele um verdadeiro familiar, mesmo se o porta-bagagens neste híbrido plug-in se resume a 471 litros de capacidade, extensíveis a 1.483 litros com os assentos traseiros rebatidos.

Evolução mecânica

Pronto a atacar a estrada, ao Aquela Máquina calhou o Peugeot 408 Plug-In Hybrid 240 na versão GT com novas jantes de 19 polegadas, e em boa hora aconteceu porque é esta proposta a evidenciar as maiores mudanças no campo motriz.

Ao motor turbo a gasolina de 1.6 litros e quatro cilindros, com 179 cv e 250 Nm, está aliado a um propulsor eléctrico de 92 kW (125 cv) e 118 Nm para uns máximos 241 cv quando antes eram 225 cv.

Ao contrário do que se possa pensar, não se trata duma nova motorização mas antes a imposição da futura norma europeia Euro 7, que "obrigou" a combinar as potências dos dois propulsores.

Novidade é a troca da anterior transmissão automática de oito relações por uma caixa e-DCS7 de dupla embraiagem e sete velocidades mas sem alterar de forma profunda a anterior e sentida "lentidão" das passagens numa condução mais dinâmica.

A capacidade da bateria também foi aumentada para 14,6 kWh líquidos, de maneira a oferecer uma autonomia combinada até 85 quilómetros quase reais, mas apenas pode ser recarregada em corrente alternada a uns máximos 7,4 kW através duma wallbox.

Mais suave do que brutal

Boa surpresa imediata neste Peugeot 408 Plug-In Hybrid 240 é a forma convincente e versátil com que ataca a estrada (7,5 segundos dos zero aos 100 km/hora) num chassis bem calibrado.

A direcção mostra-se precisa e directa, facilitando o controlo da carroçaria em curva, mesmo se as estradas apertadas (e com muito trânsito) que faziam parte do percurso algo montanhoso não permitissem grandes desvarios.

Mesmo assim, percebeu-se como este carro prefere uma condução suave e discreta em vez da brutalidade com que se pisa o acelerador, nem que seja pelas hesitações nas passagens de caixa, obrigando o motor térmico a rugir sem necessidade.

Uma questão que se resolve ao antecipá-las nas patilhas do volante, o que até torna a condução mais animada sem se perder o conforto a bordo, mesmo se a suspensão se mostrou algo rígida a absorver as deficiências de asfaltos mais degradados.

Consumos equilibrados

Na cidade pouco ou nada há a apontar, principalmente quando actua como um vulgar "eléctrico", embora os 125 cv do propulsor pareçam fracos a "puxar" um carro que pesa 1.700 quilos, mas que nem se percebe no "pára-arranca" urbano.

Onde brilha mesmo é nas auto-estradas em redor de Marselha, onde a condução suave inspira confiança acompanhado da actuação positiva dos assistentes à condução… que também já tinham sido percebidos em ambiente citadino.

E depois são os consumos equilibrados desde que a bateria esteja carregada: em modo híbrido conseguiram-se uns frugais 2,7 litros em percurso misto, que logo subiram para perto de seis com ela descarregada, e chegando aos sete em auto-estrada.

Sem ser um campeão de vendas no seio da marca do leão, o Peugeot 408 Plug-In Hybrid 240 apresenta-se mais sofisticado do que nunca e, como verdadeiro familiar que é, consegue ser uma alternativa original aos SUV mais convencionais.

Menos positivo é a ausência duma solução de carregamento em corrente contínua, algo que está cada vez mais presente em rivais com motorizações hibridizadas de ligar à tomada eléctrica.

Com um preço de entrada de gama de 37.065 euros para o Hybrid 145 cv, a versão híbrida plug-in no acabamento GT arranca nos 47.195 euros.

Versão Acabamento Preço
Hybrid 145 cv e-DCS6 Allure Desde 37.065 euros
Hybrid 145 cv e-DCS6 GT Desde 40.865 euros
Electric 213 cv Allure Desde 43.195 euros
Electric 213 cv GT Desde 46.555 euros
Plug-In Hybrid 240 cv e-DCS7 Allure Desde 43.895 euros
Plug-In Hybrid 240 cv e-DCS7 GT Desde 47.195 euros

Texto: Pedro Rodrigues Santos

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