As pré-reservas estavam abertas desde Dezembro mas só neste Maio foi apresentado ao nosso país mais um SUV eléctrico assumidamente familiar com configurações para cinco ou sete ocupantes.
Já na segunda geração, o Mercedes-Benz GLB com tecnologia EQ, que substitui os anteriores EQB a electrões e GLB térmico, é construído sobre a nova plataforma multi-energias MMA, o que significa que na calha estão igualmente variantes micro híbridas.
Proposto numa primeira fase apenas como eléctrico, o Aquela Máquina já teve a oportunidade de constatar as qualidades da versão GLB 250+ de 272 cv e sete lugares para uma autonomia combinada a bater nos 630 quilómetros.
Reconhecível pela grelha
Tomando como base o sucesso moderado do antecessor, é sem surpresa que o novo Mercedes-Benz GLB adopta um visual em linha com ele mas com uma utilização bem mais prática, nem que seja pelas recargas rápidas graças à tecnologia de 800 volts.
A evolução estilística é discreta, apoiada num visual Boxy & Bold, mas que não esconde o crescimento em quase 5 cm face ao anterior EQB, e quase 10 cm em relação ao "antigo" GLB, para agora chegar aos 4,73 metros de comprimento.
As linhas podem ser algo quadradas, é certo, mas os ângulos estão mais arredondados para conseguir a melhor aerodinâmica e, obviamente, alargar ao máximo a autonomia, embora fique dependente da escolha das jantes de 18 a 20 polegadas.
Bem reconhecível pela grelha frontal, "fechada" com dezenas de estrelas iluminadas, assume assinaturas luminosas idênticas à frente e atrás, suportadas por uma faixa de luz a toda a largura, com os farolins a serem realçado pelo formato em bumerangue.
Espaço e conforto…
O ar de família com as mais recentes produções da Mercedes-Benz salta à vista quando se abrem as portas para um habitáculo muito luminoso graças ao tejadilho panorâmico Sky Control padronizado por estrelas iluminadas.
Derivado do CLA, votado Carro Europeu do Ano em Janeiro, o posto de condução é definido pelo painel MBUX Superscreen a juntar a instrumentação e o infoentretenimento operado pelo MB.OS, assim como um terceiro ecrã para o acompanhante.
Para lá dos materiais e acabamentos de qualidade, o destaque a bordo recai num espaço mais alargado graças ao aumento em 6 cm na distância entre eixos, para chegar aos 2,89 metros.
O espaço para as pernas e a altura do tecto na segunda fila foram significativamente aprimorados, enquanto o acesso à terceira fila foi facilitada pelas portas mais largas; só quem tiver mais de 1,70 metros de altura se sentirá menos confortável nesses bancos.
Esse crescimento reflecte-se também a capacidade da bagageira, como familiar que se preza, a variar entre os 480 litros (540 na versão de cinco lugares) e os 1.605 litros com as duas filas de bancos rebatidas, a que se somam mais 127 litros sob o capô.
… para viagens de longo curso
Talhado para as viagens de longo curso, mas sem ignorar a desenvoltura com que se desembaraça no trânsito urbano, ao Aquela Máquina calhou ensaiar o GLB 250+ de sete lugares com o motor traseiro a debitar 200 kW (272 cv) e 335 Nm.
Primeiro ponto a reter é a facilidade com que se encontra a posição ideal de condução graças à ampla gama de regulações que o banco possui.
"Resolvida" essa questão, saúda-se a aceleração efectiva que lhe permite cumprir os zeros aos 100 km/hora em 7,4 segundos, com a velocidade de ponta a chegar aos 210 km/hora, mesmo se essa marca só deva ser "batida" em situações excepcionais.
O controlo dos consumos assim o obriga, mesmo se este GLB 250+ inclua a caixa automática de duas velocidades estreada no Mercedes-Benz CLA, e também presente no GLC.
Na primeira marcha, que opera até aos 80 km/hora, o impulso é potente e bem consistente, uma sensação que se reduz sobremaneira quando engata a segunda relação; infelizmente o percurso não permitiu saboreá-la na sua plenitude.
Uma certeza é que essa transmissão é determinante para a bateria de 85 kW úteis oferecer os teóricos 631 quilómetros de autonomia combinada, para depois ser recarregada a uns máximos 320 kW DC ou 22 kW AC.
Durante o ensaio, o computador de bordo registou uns médios 17,5 kWh/100 km nas estradas da serra de Sintra, mesmo se a Mercedes-Benz anuncie uns equilibrados 15,8 kWh em circuitos mais planos.
Assistentes completos
Como premium que se preza, a direcção é agradável quanto baste mas sem oferecer muita sensibilidade como "não desportivo" que é; sempre são mais de 2.000 quilos o que o SUV pesa, mesmo se essa "carga" não seja muito perceptível.
A compensá-la está um chassis muito sólido, com a suspensão adaptativa a contribuir para o fraco balanço lateral da carroçaria, como se percebeu no curto ensaio feito pelas muitas curvas das estradas da serra de Sintra.
Os diferentes modos de condução estão bem regulados, com o Comfort a torná-lo muito macio numa condução mais citadina, e com o Sport a dar-lhe mais vigor em estrada, mas sempre a privilegiar o bem estar a bordo.
A ter em atenção está a regulação da travagem regenerativa, caso não se prefira pisar do pedal de travão, mesmo se a acção seja bastante natural. Os três ajustes nas patilhas do volante são efectivos mas algo brusco na regeneração máxima.
Felizmente, há sempre a possibilidade de escolher o modo D Auto para o sistema gerir de forma muito convincente essa função segundo o tráfego que circula à nossa frente com base na navegação e na velocidade.
Não é para desconfiar mas é sempre precavido ter o pé perto do pedal de travão, mesmo se se mantenham vigilantes os auxiliares electrónicos muito completos que equipam o SUV.
Concorrência limitada
Perante uma concorrência ainda limitada no seu segmento, o Mercedes-Benz GLB, na versão 250+ com tracção traseira, tem as virtudes necessárias para conquistar aqueles que procuram um familiar eléctrico, principalmente com sete lugares.
Com um preço de entrada fixado nos 58.200 euros, esse valor depressa aumenta com a inclusão de várias opções essenciais que deveriam fazer parte do equipamento de série.
Para quem ainda está reticente em aderir à pura electromobilidade, terá em breve a oportunidade de escolher variantes micro híbridas apoiadas num bloco turbo de 1.5 litros e quatro cilindros, com 163 ou 190 cv, aliado a um sistema elétrico de 48 volts.
| Versão | Motor / Cilindrada | Potência / Binário | Autonomia | Preço |
| GLB 250+ com tecnologia EQ | um (tracção traseira) | 200 kW (272 cv) / 335 Nm | Até 631 km | Desde 58.200 euros |
| GLB 350 4MATIC com tecnologia EQ | dois (tracção integral) | 260 kW (354 cv) / 515 Nm | Até 607 km | Desde 65.200 euros |
| GLB 200 | 1.5 litros | 163 cv + 30 cv / 330 Nm | x x x x x x x | Desde 56.850 euros |
| GLB 220 | 1.5 litros | 190 cv + 30 cv / 380 Nm | x x x x x x x | Desde 60.450 euros |
Texto: Pedro Rodrigues Santos
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