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Kia Seltos: familiar racional seduz pelo espaço e pelo conforto

Era uma questão de tempo até a Kia encontrar uma solução que permitisse ocupar o "espaço vazio" deixado entre o Stonic e o Sportage.

Depois de seduzir os mercados da Ásia e da América, chega à Europa a segunda geração do Seltos, um SUV tão compacto como permitem os seus 4,43 metros de comprimento para assumir-se como um verdadeiro familiar.

O Aquela Máquina já teve um primeiro contacto ao volante desta proposta nos arredores de Lisboa e, mesmo não tendo sido um ensaio exaustivo, deu para perceber as qualidades muito positivas que oferece.

Identidade 100% Kia

São notórias as semelhanças "físicas" deste Seltos com a gama eléctrica da Kia, mesmo se os motores que o acompanham não tenham qualquer electrificação nesta primeira fase de lançamento.

Na sua génese está a linguagem estilística Opostos Unidos da construtora sul-coreana mas agora numa postura mais ampla e com formas bem mais estruturadas.

O habitáculo segue as mesmas premissas, como se percebe no arranjo do tabliê, dominado pelos ecrãs de 12,3 polegadas para a instrumentação e multimédia, separados pelo visor de cinco polegadas para o controlo da climatização.

Mas não desanime quem prefira os comandos físicos: a aposta da Kia para a melhor ergonomia está exemplificada nos botões que se mantiveram para as funções mais comuns.

Também a passagem do selector de marchas para a coluna de direcção permitiu libertar espaço na consola central, num ambiente onde os materiais e acabamentos de qualidade transmitem modernidade e conforto.

Um conforto espaçoso para quem ocupa os bancos traseiros reclináveis, graças aos 2,69 metros que separam os dois eixos, e no generoso porta-bagagens com os seus 536 litros de capacidade até ao tecto.

Duas versões à escolha

Assente na mesma plataforma K3 em que é construído o Kia K4, o Seltos assume motorizações puramente a gasolina nesta primeira fase de lançamento, para depois se seguirem as opções 100% híbridas

A gama é composta pela variante Sport, num acabamento mais convencional, com a versão X-Line a exaltar uma postura mais aventureira, mesmo se o poder de tracção se resuma às rodas dianteiras.

Comum a ambos está o bloco turbo T-GDi de 1.6 litros com 180 cv e 265 Nm, combinado com uma caixa manual de seis relações no primeiro exemplo, ou uma transmissão de dupla embraiagem DCT de sete velocidades no segundo.

Mais tarde chegarão os 100% híbridos, sempre alimentados por um motor atmosférico GDi de 1.6 litros alinhado com uma caixa automática de dupla embraiagem com seis velocidades.

A diferença está mesmo na potência, com o tracção à frente a debitar 154 cv, e o tracção integral a chegar aos 178 cv, sendo este sistema e-AWD uma estreia na marca.

Agilidade bem equilibrada

No curto ensaio feito nos arredores de Lisboa, percebe-se neste Seltos o enorme progresso que a Kia tem imprimido aos seus modelos mais recentes para conseguir a melhor experiência ao volante.

O comportamento na estrada é tranquilizadoramente neutro, com a direcção a ser responsiva quando baste para perceber os limites de aderência ao asfalto.

Os 180 cv que debita às rodas dianteiras dão-lhe agilidade suficiente em vias que não sejam demasiado sinuosas; quase nem se sente os 1.600 kg que pesa, o que atesta o refinamento das afinações do chassis.

A suspensão é firme sem se sentir demasiado desconforto a bordo, e as passagens da caixa automática, que também podem ser activadas nas patilhas do volante, são rápidas o suficiente para evitar que o motor se faça ouvir em esforço nas ultrapassagens.

Longe de procurar uma postura desportiva que o acabamento X-Line lhe dá, a prioridade é dada a uma condução que transmite segurança e excelente manobrabilidade.

A reforçar o equilíbrio geral na estrada (e na cidade!) estão os apoios à condução muito completos, quase ao nível de modelos de segmentos superiores.

Falta o apoio eléctrico

O único "pecado" mais visível são os consumos, principalmente em ambiente urbano, a confirmar quão necessário é o apoio motriz eléctrico.

É certo que a uns médios 100 km/hora, não é difícil mantê-lo em redor dos 7 litros por cada centena de quilómetros, um valor que sobe rapidamente no "pára-arranca" citadino ou quando se acelera a velocidades próprias de auto-estrada.

Mesmo assim, não se pense que estes números são exagerados já que a concorrência mais directa pouco melhor consegue fazer nos seus SUV equipados com motorizações semelhantes.

Bem construído e melhor equipado, o Kia Seltos tem praticamente tudo o que se espera dum SUV familiar, como se confirma no espaço interior e na capacidade da bagageira, sem esquecer um motor eficaz a responder às acelerações.

A variante X-Line ensaida, com transmissão automática DCT de sete relações, é proposta a partir de 41.500 mil euros, baixando para uns mais acessíveis 36 mil euros na versão Sport com caixa manual de seis relações.

A acompanhar o lançamento está uma  acção promocional "chave na mão" para particulares que coloca o primeiro exemplo nos 39.490 euros, com o segundo a fixar-se nuns atractivos 33.990 euros.

Ficha Técnica

Motor combustão: 1.6 T-GDi / 4 cilindros

Cilindrada: 1.598 cm3

Potência: 180 cv

Binário: 265 Nm

Transmissão: automática DCT 7 relações

Velocidade máxima: 208 km/hora

Zero – 100 km/hora: 8,8 segundos

Consumo combinado: 7,0 litros/100 km

Emissões CO2: 158 g/km

+ Visual personalizado, interior acolhedor, afinações do chassis

Ajudas à condução intrusivas, consumos em esforço

Texto: Pedro Rodrigues Santos

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