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Debaixo de fogo: híbridos 'plug-in' considerados um desastre ambiental

11:39 - 23-11-2020
 
Debaixo de fogo: híbridos 'plug-in' considerados um desastre ambiental

Um estudo revelado esta segunda-feira pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), denuncia como um "desastre ambiental" os veículos híbridos plug-in (PHEV) . 

Em causa estão as emissões de dióxido de carbono (CO2) acima do legalmente declaradas pelas marcas automóveis. 

A Zero apoia-se no estudo da T&E, a que a associação ambientalista pertence, para pedir o fim dos benefícios fiscais e subsídios para a compra de veículos híbridos plug-in, avança a agência Lusa.

Tendo por base testes em "condições reais" dos três modelos PHEV mais vendidos na Europa – BMW X5, que tem a maior autonomia em modo 100% eléctrico, Volvo XC60 e Mitsubishi Outlander –, as emissões reais registadas revelam que podem ser quase o dobro do que é anunciado. 

"O estudo concluiu que, mesmo em condições de teste óptimas, em que os veículos são utilizados da forma mais moderada possível e com as baterias completamente carregadas, as suas emissões são 28 a 89% superiores às contabilizadas nos testes", refere a Zero.

"Se forem utilizados em modo convencional, ou seja, usando exclusivamente o motor a combustão, esses carros emitem três a oito vezes mais CO2 do que o que os testes indicam". 

A associação ambientalista acrescenta que, "se adicionalmente o motor a combustão for utilizado para carregar as baterias – algo frequente antes de os condutores entrarem em zonas urbanas de emissões reduzidas –, as emissões de CO2 e, em geral, de poluentes com efeitos nocivos directos na saúde, vão até 12 vezes acima das anunciadas oficialmente". 

Os testes constataram níveis de autonomia em modo eléctrico inferiores aos publicitados, com o caso mais baixo a corresponder "a uns meros 11 quilómetros", além de concluírem que, em condições reais de utilização, "o recurso ao motor a combustão é constante". 

Significa isso que "esses automóveis só cumprem o anunciado nos catálogos em viagens muito curtas. 

Por exemplo, numa viagem de 100 quilómetros, emitem até cerca de duas vezes mais do que o valor oficial". 

Para a Zero, os testes que regulamentam oficialmente o nível de emissões daquele tipo de veículos têm o problema de assentar "na suposição, excessivamente optimista, da parcela de utilização em modo eléctrico, resultando em valores de CO2 irrealisticamente baixos".

Por isso, previsões mais de acordo com a utilização eléctrica real colocariam os níveis de emissões em "valores oficiais 50 a 230% superiores aos actualmente em vigor".

A associação ambientalista refere o aumento de vendas de carros PHEV no Velho Continente, devido aos novos limites em vigor na União Europeia, que obrigam os fabricantes a vender automóveis com baixas emissões.

No mercado europeu, já foram vendidas 500 mil unidades este ano, sendo que, em Portugal, foram vendidos 8.300 automóveis até Outubro, "praticamente o dobro do que se vendeu no mesmo período de 2019".

A premissa do estudo divulgado esta segunda-feira era, precisamente, perceber se as emissões publicitadas correspondiam à redução para um terço das dos automóveis convencionais equivalentes, como os fabricantes anunciam, ou se "são um truque para cumprir os requisitos legais". 

Com base nos resultados do estudo da T&E, a Zero pede o fim dos benefícios fiscais e subsídios para a compra daquele tipo de veículos, estimados, no caso português, em mais de 43 milhões de euros para 2020.

"Trata-se de um valor que está a ser desbaratado no apoio a uma tecnologia poluente e que por isso", recomenda a Zero, "deve ser canalizado sem demora para tecnologias verdadeiramente verdes".

A associação ambientalista entende que os incentivos financeiros devem ser reservados para carros 100% eléctricos.

Recomenda ainda que, numa fase transitória, os apoios e acesso a subsídios sejam concedidos a veículos com uma autonomia mínima de 60 quilómetros e "acesso comprovado" a pontos de carregamento.

Já a redução do Imposto sobre Veículos (ISV) deve baixar dos 75 para os 25%, e as empresas só devem poder reaver metade do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e não a totalidade, como actualmente acontece.

A nível europeu, a Zero pede que deixem de ser atribuídos "super créditos" à venda de carros PHEV, e que os testes passem a ter por base condições reais de utilização.

Sugere ainda que a Comissão Europeia legisle para que sejam contabilizadas as emissões reais, apuradas com base no uso registado no computador de bordo do veículo.

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Bruno P   19:36 - 24-11-2020
Há já algum tempo que não via uma noticia tão disparatada. Adquiri um hybrido plug in e o consumo de gasolina é quase insignificante. Faço diariamente cerca de 30 a 40 km e consigo optimizar a totalidade da energia electrica.
Consumo praticamente apenas electricidade. Haja paciência.
Gungunhana GUNGUNHANA   07:53 - 25-11-2020
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A Moda de contar mentiras em Portugal ... foi lançada pelo Costa Karaa de MItxé !
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Bruno P   19:36 - 24-11-2020
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Há já algum tempo que não via uma noticia tão disparatada. Adquiri um hybrido plug in e o consumo de gasolina é quase insignificante. Faço diariamente cerca de 30 a 40 km e consigo optimizar a totalidade da energia electrica.
Consumo praticamente apenas electricidade. Haja paciência.
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Carlos Pina   19:02 - 24-11-2020
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Além de bons contactos na imprensa e de ter uma saída no mínimo polémica da Quercus, o senhir da Zero representa mesmo quem ?
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FERNANDO MARTINS MARTINS   10:58 - 24-11-2020
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Quando se compra um carro destes estamos a pensar no dia a dia em que fazemos viagens curtas e aí temos emissões zero.
No meu caso todas as semanas metia €40 de gasóleo e passei a meter os mesmos €40 uma vez por mês.
Quem diz isto não têm experiencia para falar do assunto. Sou amigo do ambiente.
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