Mitsubishi Fuso suspende produção no Tramagal em Julho e avança com rescisões voluntárias

A Mitsubishi Fuso vai suspender em Julho a produção na fábrica do Tramagal, no distrito de Santarém, e avançar com saídas voluntárias de trabalhadores.

A informação foi avançada à Lusa pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE-CSRA).

Fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC), sediada no Japão, confirmou à agência de notícias que "não está prevista produção" naquele mês, seguindo-se o habitual encerramento da instalação fabril em Agosto para férias.

A empresa nipónica indica ainda que a fábrica está a ajustar o seu planeamento operacional, em consonância com a transição do modelo europeu de encomendas e distribuição.

Confirmou ainda que, "em linha com o ajustamento dos planos de produção para os próximos trimestres", está a adaptar a sua estrutura de recursos humanos a partir de Julho.

Nesse sentido, foi disponibilizado "um programa voluntário aos trabalhadores que manifestem interesse" mas sem que tenha divulgado números sobre as saídas previstas.

Dário Lima, trabalhador na empresa e dirigente sindical, explicou que, "oficialmente, vamos ter um lay-off" em Julho e, "até ao final desse mês, deverão ser celebrados acordos para a saída de 40 trabalhadores, assim como dos trabalhadores temporários".

A empresa indica ter cerca de 400 trabalhadores permanentes, enquanto o sindicato aponta para cerca de 500 no total, incluindo contratos a prazo e temporários.

No plano laboral, o sindicato adiantou que os trabalhadores abrangidos pela paragem não receberão a totalidade do salário, embora a remuneração fique acima do valor base previsto no regime.

Fábrica em reestruturação

A fábrica do Tramagal atravessa um processo de reestruturação associado à evolução da gama de veículos produzidos, e com impacto no volume de produção.

Segundo o sindicato, a unidade deixará de fabricar para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilos, mantendo a produção de veículos de maior dimensão, assim como da versão eléctrica eCanter.

A empresa afirmou estar a rever continuamente o portefólio europeu de viaturas ligeiras tendo em conta a transição para veículos "zero emissões", os requisitos regulamentares e as necessidades dos clientes, sem comentar o futuro de modelos específicos.

Já o sindicato relaciona esta alteração com as exigências ambientais do sector automóvel europeu, nomeadamente, a futura norma Euro 7 sobre as emissões de gases poluentes.

Por sua vez, a empresa indicou que a fábrica do Tramagal continua a seguir a evolução regulamentar no mercado europeu e a avaliar as adaptações industriais necessárias, acrescentando que, nesta fase, a transição não implica qualquer redução estrutural adicional da produção.

Todavia, o sindicato admite preocupação quanto ao futuro da unidade fabril, num contexto marcado pela integração da Mitsubishi Fuso e da Hino Motors na nova holding ARCHION criada pela Daimler Truck e pela Toyota.

"Há alguma preocupação, é óbvio, porque não havendo informações e definições do que será o futuro, há sempre uma incógnita", declarou Dário Lima.

A multinacional japonesa garantiu à Lusa que a unidade do Tramagal "continua a operar como parte da actual rede industrial internacional", acrescentando não prever mudanças adicionais para além dos ajustamentos já comunicados.

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