Concretizada que foi a parceria com a Renault em Dezembro último, para produzir dois "eléctricos", a Ford voltou ao terreiro para formar uma empresa conjunta com a chinesa Geely, anunciaram os dois grupos automóveis na quinta-feira.
A joint-venture prevê a produção de três novos modelos na fábrica que a construtora norte-americana detém em Valência, actualmente a enfrentar dificuldades.
O projecto prevê que a nova empresa seja detida em 66% pela Ford e em 34% pela Geely, e que os automóveis a produzir em Espanha tenham como destino o mercado europeu, explica o comunicado conjunto divulgado pela agência Lusa.
É ainda avançado que a unidade fabril de Valência continuará a produzir "sem interrupção" o híbrido Ford Kuga, pondo fim aos rumores para o seu desaparecimento da gama, a que se juntará em 2028 o novo Ford Bronco.
Já fruto da parceria estão dois SUV eléctricos da Geely e "um novo crossover familiar multi-energias concebido pela Ford, e desenvolvido em conjunto" com a marca asiática.
"O nosso objectivo não é outro senão utilizar em pleno esta fábrica até à sua capacidade máxima", sublinhou Jim Baumbick, presidente da Ford Europe na conferência de imprensa que aconteceu nas instalações da fábrica de Valência.
O acordo permitirá também a ambos os conglomerados reduzir o custo de cada automóvel produzido na fábrica espanhola, onde em 2025 foram montados menos de 100 mil veículos.
Para contrariar aquele mínimo histórico, de acordo com o sindicato UGT Ford, o objectivo a longo prazo dos dois grupos passa por uma capacidade anual de produção em redor dos 500.000 veículos.
Construtores europeus em dificuldades
O acordo segue-se ao anúncio feito em Maio pela Stellantis de que tenciona alienar parcialmente a fábrica de montagem que tem em Madrid à empresa chinesa Leapmotor, para a produção dum novo modelo daquele fabricante chinês já este ano.
Recorde-se que as fábricas de automóveis europeias estão actualmente a operar apenas a 50% da sua capacidade produtiva.
Em paralelo, face às taxas aduaneiras na Europa e à vontade da Comissão Europeia em orientar a procura para produtos fabricados no Velho Continente, a par dos objetivos de descarbonização, os construtores estrangeiros estão a adoptar estratégias para conseguir produzir localmente.
Victor Young, vice-presidente da Geely, garantiu em Valência que empresa não irá "importar mão de obra da China", contando antes com a experiência dos colaboradores da fábrica valenciana, e tirar o máximo partido das capacidades locais.
Actualmente trabalham 4.142 pessoas naquela unidade fabril, que passarão a integrar o quadro da nova empresa conjunta da Ford e da Geely quando for formalizada em 2027.
Jim Baumbick confirma essa aposta, com o executivo da Ford Europe a dizer que "serão precisos mais trabalhadores, sem dúvida", quando a fábrica estiver a produzir em máxima capacidade.
Já segue o Aquela Máquina no Instagram?