Automóveis cada vez maiores colocam vidas em risco e desperdiçam milhões em energia

Automóveis cada vez maiores colocam em risco o espaço público, assim como a segurança rodoviária ao provocarem mais vítima, sem esquecer o desperdício de milhões de euros em energia devido à sua fraca eficiência, indica a agência Lusa de acordo com um relatório divulgado esta quarta-feira.

O documento foi avançado pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E, na sigla original) e a Clean Cities Campaign, organizações de promoção da mobilidade sustentável, e avançado pela associação ambientalista Zero, que faz parte das duas organizações europeias.

Na análise agora divulgada, os autores notam que os automóveis vendidos na Europa são cada vez maiores: desde 2000 que o comprimento médio dos novos veículos tem aumentado anualmente 1,2 centímetros, com a altura e a largura a somarem 0,5 centímetros por ano.

O estudo explica uma situação tanto mais caricata já que no Velho Continente as famílias são cada vez menos numerosas, e com menor taxa de ocupação por veículo.

Nas cidades europeias estima-se que metade do espaço público já é dedicado ao transporte rodoviário, com o caso particular de em Portugal a forte ocupação levar muitas vezes a passeios estreitos ou inexistentes, ao estacionamento ilegal, à falta de ciclovias e de faixas BUS, e à insuficiente arborização, diz a Zero.

Mais mortes em acidentes

Com cada vez veículos maiores, como são os SUV, haverá cada vez mais pressão no espaço público, com as cidades europeias a poderem perder entre 8,5% e 14% dos seus lugares de estacionamento em superfície até 2040 se esta tendência continuar.

Uma tendência que é "uma ameaça sem precedentes ao espaço público das cidades europeias", afirma a Zero, que adverte que terá "consequências graves" para a segurança rodoviária.

O estudo, frisa a Zero, projecta um aumento de vítimas entre os utilizadores vulneráveis da via pública, como peões ou ciclistas, estimando que em 2040 morram mais 400 pessoas por ano em comparação com um cenário de veículos mais pequenos.

Serão, de 2026 a 2040, mais 2.500 mortes de adultos e 79 de crianças nas estradas europeias, admitem os autores, somando-se a este cenário o maior consumo de energia por esses veículos de maiores dimensões, com os correspondentes custos acrescidos para os utilizadores.

Face a veículos de tamanho mais reduzido, o consumo adicional representa um custo acrescido de 36 mil milhões de euros nas facturas de carregamento dos carros elétricos, e de 10 mil milhões de euros nos carros com motor de combustão.

A Zero pede políticas públicas que travem o aumento das dimensões dos automóveis, indicando que deveria ser criado um limite máximo para as dimensões dos automóveis, com os impostos a poderem desincentivar a aquisição de carros grandes.

Defende ainda a associação que as portagens sejam ajustadas para reflectirem a dimensão dos veículos, e que o estacionamento seja também mais caros, propondo também a revisão da legislação europeia sobre emissões de dióxido de carbono dos automóveis, sejam promovidos os veículos eléctricos compactos.

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