
















Há um hiper desportivo capaz de "voar" tão rente ao asfalto que o seu nome não é mais do que uma verdadeira homenagem ao lendário Lockheed SR-71 Blackbird pelos seus recordes absolutos de velocidade.
Ora a ligação mais óbvia do novíssimo Hennessey Blackbird àquela aeronave militar pode explicar-se pelos dois estabilizadores activos na traseira, que se erguem automaticamente na vertical a um ângulo de 71 graus quando o bólide atinge os 114 km/hora.
E não é só nesse "pormaior" que essa relação é efectiva: as aletas que o bólide comporta também são em tudo semelhantes às que equipam os motores a jacto do avião de reconhecimento estratégico.
Aerodinâmico quanto baste de ponta a ponta, o destaque aponta às quatro saídas de escape montadas sobre um enorme difusor, também elas inspiradas no experimental Bell X-1 que primeiro quebrou a barreira do som a 14 de Outubro de 1947.
O foco deste Hennessey Blackbird está no V8 atmosférico de 6.2 litros derivado do desporto automóvel, ou não tivesse ele sido desenvolvido em parceria com a Ilmor Engineering, especializada no fornecimento de motores V6 à Chevrolet para o IndyCar.
Montado em posição central traseira, os 800 a 850 cv que debita passam às rodas traseiras através duma caixa manual de seis relações, cumprindo os zero aos 100 km/hora nuns velozes 2,6 segundos para uma velocidade de ponta superior a 350 km/hora.
O segredo para toda esta rapidez está na leveza que o Hennessey Blackbird exibe na balança: menos de 1.360 quilos em vazio graças à sua construção numa estrutura monocasco e numa carroçaria inteiramente em fibra de carbono.
E com a suspensão adaptativa "ligada" às rodas de 21 polegadas envoltas com pneus Pilot Sport Cup 2 da Michelin, é possível atacar as curvas com mais agressividade sem "perder" o norte.
Mais surpreendente é que, apesar de todo este poder na estrada, é o conforto proporcionado a bordo para os dois ocupantes do Blackbird durante horas a fio, como explica a Hennessey.
Primeiro, é preciso aguardar que as portas em forma de asa de gaivota se ergam para aceder a um requintado habitáculo forrado em pele castanha.
Não se deixe distrair com todo esse luxo porque o que de imediato salta à vista é a ausência de ecrãs para a instrumentação e o infoentretenimento; nem mesmo o volante comporta qualquer botão!
Significa que o posto de condução é dominado ao centro por um conta-rotações, ladeado pelo velocímetro e pelo mostrador da temperatura do motor e do nível do depósito de combustível; seria difícil um hiper desportivo ser tão "básico" como este!
Até mesmo o arranque da ignição é feita à moda antiga com o girar da chave, enquanto a consola central alberga a manete da caixa de velocidades para seguir um curso bem definido.
Descansem os fanáticos do digital porque nem tudo é analógico: a construtora norte-americana garante total conectividade com Apple CarPlay ou Android Auto, acessível a partir do telemóvel montado num suporte dedicado para o efeito.
Tão especial como ambiciona ser, o Hennessey Blackbird está limitada a 71 exemplares, numa ligação efectiva ao codificado SR-71 Blackbird, com cada um a começar nuns milionários 2,2 milhões de euros.
Aos interessados convém apressarem-se porque, aparentemente, dois terços da produção já estão reservados antes da estreia oficial ao público no Monterey Car Week que irá decorrer de 7 a 15 de Agosto na Califórnia.
Texto: P.R.S.
Já segue o Aquela Máquina no Instagram?