
















Nascida do latim, a palavra "peregrino" derivada da conjugação per (através de) e agri (campos), designa aquele que vem de fora, de um lugar estranho àquele em que nos encontramos.
Entre 2 e 6 de Outubro, atravessar os campos foi o que fizeram cerca de 100 viajantes que ligaram as cidades da Guarda e Santiago de Compostela através de percursos e locais ligados aos Caminhos de Santiago.
O percurso arrancou na Guarda, cidade natal do organizador Clube Escape Livre, para percorrer alguns dos percursos ligados à tradição jacobeia.
Caminho Nascente foi o primeiro a ser percorrido, um percurso pouco conhecido que foi recuperado recentemente, a ligar a Guarda a Trancoso, onde as 40 viaturas participantes chegaram no final do primeiro dia.
Ao longo do percurso, as etapas de "todo-o-terreno" foram alternadas com visitas a santuários e mosteiros relevantes ao longo da história destes percursos, percorridos por peregrinos há vários séculos.

No segundo dia, a caravana passou por Sernancelhe e pelo Santuário de Nossa Senhora da Lapa, onde os participantes tiveram a possibilidade de avaliar os seus pecados ao atravessarem um espaço apertado entre duas rochas no interior da capela.
Diz a tradição que as pessoas que conseguem passar pela fenda entre as rochas estão livres de pecados graves, o que poderá ser um bom indicador para os participantes que se colocaram à prova.
Depois da passagem pela ponte medieval de Ucanha, onde os peregrinos que se deslocavam para Santiago de Compostela eram os únicos que não pagavam portagem, a viagem prosseguiu para as Fisgas do Ermelo.
Com mais de 200 metros de altura, é uma das maiores quedas de água do país, e um dos principais pontos de interesse do Parque Natural do Alvão.
No terceiro dia de viagem, a caravana seguiu para norte, atravessando as Terras de Bouro antes de chegar ao mar de Ofir.

De acordo com a lenda, foi através dessas águas que um barco de pedra transportou o corpo do apóstolo Santiago até Santiago de Compostela, onde continua sepultado.
Ao longo da jornada foi possível visitar monumentos como os santuários de São Bento da Porta Aberta e de Nossa Senhora da Abadia, provar a gastronomia local e observar as imponentes fragas da serra do Gerês.
Para Luís Celínio, presidente do Clube Escape Livre, o objectivo deste passeio é sempre "juntar a história à cultura e à descoberta da paisagem, unindo viajantes apaixonados pelo ‘todo o terreno’ e pela descoberta do território".
O monte de Santa Luzia, em Viana de Castelo, foi o primeiro ponto de paragem na manhã seguinte, a que se seguiu um percurso fora de estrada onde garranos e vacas fizeram companhia aos jipes da caravana.
Antes de atravessar a fronteira para rumar a Santiago de Compostela, ainda houve tempo para alguns momentos de adrenalina, com os participantes a terem de aplicar-se para percorrer alguns troços mais complexos.

Já em Santiago, o programa terminou com uma caminhada nocturna até à Praça do Obradoiro, a que se seguiu, na manhã seguinte, a tradicional missa do peregrino, presidida pelo bispo da Guarda, D. José Miguel Barata Pereira.
Depois de vários dias de "caminhada" em conjunto, estes peregrinos dos tempos modernos iniciaram o regresso a casa.
Na altura das despedidas, a vontade de regressar a Santiago era referida. A próxima oportunidade é já em 2027, que vai ser ano Jacobeu, numa das viagens que este clube da Guarda está a organizar.
Texto: João Cortesão
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