Sem fim à vista na guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, são cada vez mais os actores internacionais a exigirem soluções alternativas devido ao fecho do Estreito de Ormuz por onde passa 20% do petróleo consumido no planeta.
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) pediu esta semana uma diminuição dos custos com a eletricidade e mais incentivos para combustíveis renováveis.
Já a Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda que Portugal apoie a compra de veículos eléctricos usados num sector de transportes ainda muito dependente do petróleo.
Electricidade mais acessível
A ACEA apelou aos decisores políticos para enviarem um sinal "claro de que a electricidade deve tornar-se na fonte de energia mais acessível", e que o façam "com medidas concretas", como avançou o comunicado da agência Lusa.
Destacou igualmente a "necessidade de incentivar os combustíveis renováveis" já que muitas das medidas tomadas a curto prazo para baixar os preços dos carburantes não discriminam pela sua composição.
"Estas medidas poderiam combinar o alívio junto aos consumidores com poupanças nas emissões de dióxido de carbono: quanto maior for a percentagem de combustíveis renováveis no mix, maior deveria ser o alívio na bomba", refere a associação.
Citada no documento, a diretora-geral da ACEA, Sigrid de Vries, defendeu que a estratégia de descarbonização deve passar pela eletrificação e pelos combustíveis de origem renovável.
A organização formada pelos principais construtores automóveis do Velho Continente registou ainda que a crise dos preços dos combustíveis tem influenciado o mercado automóvel, tendo o segmento de "eléctricos" usados subido em alguns países.
Apoio à compra de "eléctricos" usados
É sob esse mesmo diapasão que a Agência Internacional de Energia aconselha o Governo a apoiar a compra de "eléctricos" e, segunda mão, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, para reduzir as emissões de dióxido de carbono.
A proposta consta da Revisão da Política Energética de Portugal 2026 apresentado esta sexta-feira em Lisboa, num documento que integra o ciclo regular de análises conduzidas pela AIE às políticas energéticas e climáticas dos países-membros.
Nas dez medidas aconselhadas ao nosso país, e no caso específicos dos transportes, são apontada como prioridades o apoio a veículos eléctricos usados, a expansão da rede urbana de carregamento, e novas medidas para aumentar a transferência modal.
Segundo o relatório, os transportes rodoviários são a principal fonte de emissões de gases com efeito de estufa associadas à energia em Portugal, representando 54% em 2024, com o petróleo a assegurar 92% do consumo total de energia final do sector.
Mesmo assim, a AIE assinala que a aquisição de veículos eléctricos está "em rápida expansão" em Portugal, graças ao regime fiscal favorável, e a uma rede de carregamento bem desenvolvida ao longo dos principais corredores de transporte.
Recorde-se que no ano passado as viaturas totalmente a electrões representaram 38% das novas matriculações nacionais, uma taxa superior à média da União Europeia.
Contudo, a AIE sublinha que o transporte rodoviário continua a ser predominante, e que o parque automóvel luso é ineficiente e está muito envelhecido; recorde-se que os "eléctricos" correspondem apenas a 6% do total, apesar do crescimento nas vendas.
Texto: P.R.S. com Agência Lusa
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