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Jeep Wrangler: ao volante do Rubicon 2P e do Sahara 4P
12:35 - 25-11-2018
 
Jeep Wrangler: ao volante do Rubicon 2P e do Sahara 4P
Jeep Wrangler: ao volante do Rubicon 2P e do Sahara 4P

Apresentado no Salão Automóvel de Los Angeles do ano passado, o novo Jeep Wrangler já chegou ao nosso país (em Setembro) e nos já testámos a versão de duas portas com o nível de equipamento Rubicon e a variante de 4 portas Sahara.

A quarta geração do Jeep Wrangler foi enriquecida com a introdução de dois novos motores: 2.2 MultiJet II turbodiesel de 200 cv e 2.0 a gasolina turbo com quatro cilindros em linha de 272 cv. Estas motorizações juntam-se ao motor 3.6 V6 Pentastar que debita 284 cv, ainda que este último só esteja disponível para o Médio Oriente e África.

A marca norte-americana garante que este Wrangler é o Jeep "de maiores capacidades de sempre, proporcionando os mais elevados níveis de conforto e de comportamento em estrada". Mas será que é mesmo assim? Fizemos cerca de 700 quilómetros com os dois modelos e contamos-lhe como foi.

DESIGN. O Jeep Wrangler tem uma das formas mais icónicas da história da indústria automóvel e isso obriga a mudanças contidas. Esta nova geração não é excepção e apesar de ter sido aprimorada, continua a destacar-se pelos elementos habituais deste modelo: falamos dos faróis dianteiros redondos, da grelha de sete entradas, das cavas das rodas trapezoidais, das dobradiças à vista, das portas amovíveis e das várias configurações do tejadilho.

Ainda assim, isto não impediu que a equipa de design da Jeep tenha dado um "look" mais moderno à lendária grelha de sete entradas, com as lâminas exteriores da grelha a interceptarem os faróis dianteiros, numa homenagem ao lendário modelo CJ.

Nas versões Sahara e Rubicon, as que experimentámos, os faróis dianteiros LED (opcionais) completam a imagem inconfundível do Wrangler, sendo que as luzes diurnas estão posicionadas nas protecções das cavas das rodas dianteiras. Na traseira, os grupos ópticos quadrados também podem contar com tecnologia LED (opcional) e isso aumenta ainda mais a presença do Wrangler em estrada.

Este é o único SUV 4x4 verdadeiramente descapotável disponível no mercado e como não poderia deixar de ser, oferece várias possibilidades de configuração do tejadilho para garantir uma experiência de condução a céu aberto. Todas as versões do Wrangler apresentam barras desportivas - na mesma cor da carroçaria – soldadas à carroçaria e com pegas integradas.

HABITÁCULO. Se a imagem exterior do Wrangler está repleta de detalhes inspirados nos modelos originais, o mesmo acontece dentro do habitáculo, ainda que o interior do novo Wrangler represente um salto em frente em termos de conforto, tecnologia e qualidade.

A Jeep garante que para este novo modelo recorreu a materiais e acabamentos de alta qualidade e isso ficou visível assim que nos sentámos ao volante destes dois modelos. O Rubicon apresenta uma imagem interior ligeiramente mais arrojada e desportiva, fruto de um acabamento exclusivo para esta versão. Já o Sahara revela-se mais elegante e tradicional, com superfícies mais macias ao toque e com costuras à vista.

O painel de instrumentos digital de sete polegadas e o sistema multimédia Uconnect de 8,4 polegadas são comuns a ambas as versões e fazem parte do equipamento de série. A navegação pelos vários menus é bastante intuitiva e permite que o sistema seja operado em andamento e que se integre com o seu smartphone. Este terminal multimédia faz dupla com um sistema de som Alpine de nove altifalantes (de série) que apresenta um som limpo e se destaca pelos graves bastante claros.

MOTOR. As duas versões que conduzimos estavam equipadas com o novo motor turbo diesel 2.2 MultiJet II de 200 cv de potência (às 3.500 rpm) e 450 Nm de binário máximo (logo às 2.000 rpm). Em qualquer dos casos, e apesar da diferença de peso (2.086 quilos para o Rubicon 2P e 2.158 quilos para o Sahara 4P), a aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 9,6 segundos, mas se a velocidade máxima do Rubicon 2P está fixada nos 160 km/h, o Sahara 4P chega aos 180 km/h.

A Jeep reivindica um consumo combinado de 7,4 litros/100 km para o Rubicon de duas portas e de 7,6 litros/100 km para o Sahara de quatro portas. Com uma condução mais comedida estes números são relativamente fáceis de cumprir, mas este motor, que transmite toda a potência para o eixo traseiro ou para as quatro rodas através de uma caixa automática de oito velocidades, convida a uma condução mais desportiva e isso tem impacto nos consumos, que rapidamente disparam para perto dos 11 litros/ 100 km.

Ainda assim, importa dizer que fizemos cerca de 500 quilómetros com o Wrangler Sahara em auto-estrada e conseguimos fazer uma média de 9 litros/100 km, um número impressionante se tivermos em conta que estamos a falar de um carro com mais de duas toneladas!

AO VOLANTE do Sahara 4P. O desempenho do Wrangler Sahara de quatro portas em estrada surpreendeu-nos pela positiva. É que se falar do Wrangler é falar de um dos todo-o-terreno mais capaz do mercado, ficámos impressionados com o conforto e com a dinâmica apurada que o Sahara apresentou em estrada.

A Jeep garante que trabalhou a nova suspensão de forma a optimizar o comportamento em estrada e o conforto em andamento, sem sacrificar as capacidades "off-road", e isso ficou bem visível ao volante do Sahara que testámos.

O Wrangler continua a recorrer a uma configuração de suspensão de cinco braços, com a suspensão dianteira a apresentar um braço de controlo lateral e quatro braços longitudinais, enquanto a suspensão traseira de cinco braços dispõe de dois braços superiores e dois braços inferiores.

A combinação deste motor e desta caixa automática com este chassis e esta suspensão convidam a uma utilização mais agressiva e fazem deste Sahara uma proposta bastante divertida de conduzir. É fácil entrar com alguma velocidade nas curvas e o Wrangler dá-nos confiança para isso, mas é igualmente impressionante o trabalho da suspensão na hora de absorver as irregularidades do asfalto.

Jeep Wrangler: ao volante do Rubicon de duas portas

AO VOLANTE do Rubicon 2P. Se elogiámos o desempenho do Sahara em estrada, temos que o distanciar do comportamento do Rubicon nesse mesmo campo. É bastante mais "saltitão" no asfalto e retira alguma da confiança que o Sahara nos dá para optar por uma condução mais agressiva.

Isto está longe de ser uma crítica e a verdade é que quem se senta ao volante de um Rubicon está muito mais interessado no que ele faz fora de estrada do que "dentro" dela, basta olhar para os enormes pneus rugosos. E nos "maus caminhos", o Rubicon ganha vida!

Nesta versão é possível bloquear o diferencial traseiro ou ambos e desconectar a barra estabilizadora, mas nas duas é possível optar por cinco "posições" da caixa: 2H (tracção traseira), 4H Auto (4x4 com o binário a ser distribuído de forma automática), 4H part-time (4x4 com diferencial central bloqueado em 50:50), N (neutro) e 4L (redutoras).

O Rubicon apresenta um ângulo de entrada de 36,4 graus e um ângulo de saída de 30,8 graus, sendo que pode andar em água até 76 cm de profundidade. Desde a suspensão até aos enormes pneus rugosos 285/70 R17, tudo acerca deste Rubicon é pensado para uma condução fora de estrada. E o facto de se poder desactivar a barra estabilizadora dianteira permite uma maior agilidade pelos trilhos e um curso das rodas ainda mais impressionante.

CONCLUSÃO. O novo Jeep Wrangler mudou muito, mas na essência continua a ser… um Wrangler! Os princípios básicos deste modelo foram mantidos, mas é fácil registar um enorme salto qualitativo ao nível do comportamento, do visual e do conforto.

Se os registos fora de estrada são um dado adquirido com um modelo como o Wrangler, o conforto e a dinâmica da condução em estrada impressionaram-nos, sobretudo no Sahara de 4 portas.

A maior crítica a estes dois modelos terá que ser focada no preço: Wrangler Rubicon 2P que testámos custava 62.848, e o Sahara 4P custava 70.848 €. É o preço a pagar pela elevada fiscalidade do nosso país, que prejudica os 4x4 e ainda os "atira" para a categoria de Classe 2 nas portagens.

Recorde-se que neste momento o Jeep Wrangler beneficia de uma campanha  de oferta de Garantia e manutenção de 5 anos ou 75.000 km.

FICHA TÉCNICA (Rubicon 2P)

Motor: 2.2 CRD 
Cilindrada: 2.143 cc 
Potência máxima: 200 cv/3.500rpm 
Binário máximo: 450 Nm/2.000 rpm 
Velocidade máxima: 160 km/h 
0 a 100 km/h: 9,6 s 
Consumo médio: 7,4 l/100 km 
Emissões de CO2: 195 g/km 
Preço desde: 57.500 euros 

Versão ensaiada: 62.848 euros 

+ EMOÇÃO. O Jeep Wrangler Rubicon continua a ser um verdadeiro "todo-o-terreno" e isso fica visível em tudo o que lhe pedimos para fazer.

- DINÂMICA. Em asfalto, o Wrangler Rubicon é algo "saltitão". Mas vamos ser sinceros, ninguém compra um Rubicon pelo que ele faz no asfalto…

FICHA TÉCNICA (Sahara 4P)

Motor: 2.2 CRD 
Cilindrada: 2.143 cc 
Potência máxima: 200 cv/3.500rpm 
Binário máximo: 450 Nm/2.000 rpm 
Velocidade máxima: 180 km/h 
0 a 100 km/h: 9,6 s 
Consumo médio: 7,6 l/100 km 
Emissões de CO2: 202 g/km 
Preço desde: 66.500 euros 

Versão ensaiada: 70.848 euros 

+ VERSATILIDADE. Fizemos cerca de 500 quilómetros em auto-estrada e ficámos surpreendidos com o comportamento, conforto e consumo. Mas se o levar para fora de estrada ele ganha vida… afinal é um Wrangler!

- PREÇO. A apontar uma crítica a este modelo terá que ser o preço. A fiscalidade do nosso país é "dura" com modelos como este, que combinam um motor potente com um sistema de tracção 4x4.

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