
















Já "acelera" nas estradas portuguesas há quase ano e meio mas nem por isso o Alfa Romeo Junior Ibrida deixa de ser um dos crossovers mais divertidos de conduzir entre os seus rivais.
Pode não ser a máquina mais emocionante mas os seus 145 cv electrificados, passados às rodas dianteiras através duma caixa automática de seis relações, "engatilhável" nas patilhas no volante, assume-se como uma escolha a ter em atenção.
O Aquela Máquina assim o reconfirmou nas últimas semanas com a variante Sport Speciale, e bem apreciou a forte ligação que mantém aos motores de combustão interna… mesmo se contam com o imprescindível apoio eléctrico!
Nem sequer vale a pena alongarmo-nos em demasia pelo visual desportivo deste Junior Ibrida, a ostentar uma identidade muito própria como é "normal" a Alfa Romeo presentear os seus alfistas.
Com uma dimensão tão compacta como permitem os seus 4,17 metros de comprimento, exibe com orgulho todo o seu músculo numa frente decorada pelo icónico scudetto da insígnia italiana, em perfeito contraste com uma traseira robusta.
Uma vez a bordo, é difícil não sentir que se está perante um crossover que quer ser mesmo diferente entre os seus pares: os bancos são confortáveis e com bom apoio lateral, e a posição de condução está bem projectada.
Apreciou-se igualmente o volante multifunções muito compacto e as patilhas bem posicionadas na coluna da direcção, sem esquecer os comandos físicos mais comuns ao alcance da mão direita.

Embora com um infoentretenimento muito fluido, pena é o ecrã multimédia estar montado numa posição demasiado baixa para se fazer uma leitura rápida dos dados numa condução mais dinâmica.
Os primeiros elogios vão para a posição muito confortável do condutor ao volante, seja para atacar o tráfego urbano ou para perder todas as "estribeiras" quando a estrada se esvazia de trânsito.
Alimentado por uma bateria de 0,9 kWh, o Junior Ibrida consegue operar em modo eléctrico a (muito) baixa velocidade e só durante algumas dezenas de metros, como acontece com a maioria das motorizações micro híbridas.
Os 145 cv combinados passados ao eixo dianteiro não são avassaladores mas são mais do que suficientes para um uso quotidiano; dificilmente será na cidade que se tentará confirmar se realmente faz menos de 9 segundos até aos 100 km/h.
Já em via aberta, o SUV milanês revela toda a sua raça com uma condução dinâmica apoiada numa direcção que, mesmo sem ser ultra precisa, é comunicativa quanto baste para cumprir bem o seu propósito.

Embora não seja propriamente um puro desportivo, o equilíbrio entre conforto e agilidade é de bom nível graças a um chassis bem regulado (e a um baixo centro de gravidade) para travar a inclinação da carroçaria em curvas mais apertadas.
Não há qualquer sinal duma suspensão mais desconfortável ao filtrar de maneira consistente as deficiências do asfalto. Critica-se apenas o poder de travagem, que poderia ser mais responsivo, num SUV que pesa menos de 1.400 quilos.
As passagens de caixa em modo automático são suaves quanto bastem mas relativamente lentas, razão mais do que suficiente para usar e abusar das patilhas no volante para engrená-las com mais rapidez e eficácia.
E assim se consegue que o sistema motriz híbrido ofereça acelerações vivas quanto bastem mas sempre na dose necessária para o dia a dia de maneira a evitar consumos demasiado elevados.
Não sendo um campeão nesse campo, conseguem-se uns positivos 6,5 litros por cada 100 quilómetros numa condução mais espevitada numa via nacional.

Nada de alarmante ao saber-se que se consegue reduzi-los abaixo dos seis litros numa condução mais suave, mas que logo disparam se se fizer da auto-estrada uma pista de corrida, a confirmar que é uma "inimiga" dos carros electrificados.
Uma certeza é que, com o Junior Ibrida, a Alfa Romeo fez um regresso notável ao segmento dos SUV compactos com uma proposta muito bem conseguida.
Em termos estéticos é muito agradável ao olhar e ao volante é um verdadeiro gozo para quem quer saborear uma condução mais animada sem correr riscos desnecessários.
O interior é espaçoso quanto baste para um carro da sua categoria e, mesmo não sendo um verdadeiro familiar, sempre oferece uns "largos" 415 litros na bagageira.
Pena é o seu preço colocá-lo num patamar superior como marca premium que é a Alfa Romeo: a entrada na gama faz-se a partir dos 30.500 euros mas o Sport Speciale ensaiado atira-o para os 35 mil euros.
Texto: Pedro Rodrigues Santos
Já segue o Aquela Máquina no Instagram?