Poderá o novo Xpeng P7+ vir a ser um dos melhores "roladores" do momento em viagens de longo curso? Os números apontam nesse sentido, ao aliar uma impressionante relação preço-qualidade com a larga autonomia e os recarregamentos rápidos.
A berlina desenhada como fastback é anunciada como o primeiro "eléctrico" optimizado por inteligência artificial, com o novo chip Turing a acelerar a capacidade de computação dos assistentes de condução, pela maior rapidez no processamento de dados.
Com os preços já definidos e as reservas abertas no nosso país, o Aquela Máquina até já teve oportunidade de ter um primeiro contacto ao volante nas ruas de Lisboa, mesmo se o ensaio foi demasiado curto para perceber todas as suas capacidades.
Berlina a perder de vista…
O Xpeng P7+ foi uma das estreias mais destacadas no salão automóvel de Bruxelas em Janeiro, e não é apenas por ser o primeiro modelo de grande produção a ter sido optimizado por inteligência artificial.
Apontado às viagens de longo curso em todo o conforto, como justificam os seus 5,07 metros de comprimento, é definido por um visual mais enérgico face ao antecessor, com o toque futurista à frente a seguir a mesma linha do Xpeng G6.
Distingue-se um capô curto e inclinado, para conseguir um brilhante coeficiente aerodinâmico de Cx 0,211, graças às superfícies limpas e fluidas onde nem se percebem os puxadores escamoteáveis das portas.
Atrás são as ópticas a "darem" uma postura mais larga à berlina, com o vidro traseiro a terminar numa asa distinta.
… com toques premium a bordo,…
Espaço a bordo não falta, como é próprio duma berlina executiva graças aos três metros que separam os dois eixos, com os acabamentos premium a estarem patentes nos revestimentos em microfibra Velour e pele sintética Nappa.
Um painel de instrumentos de 8,8 polegadas, separado do ecrã de 15,6 polegadas para o infoentretenimento, e um visor head-up 3D definem o posto de condução onde os controlos físicos são inexistentes, se se ignorarem os botões no volante multifunções.
Câmaras não faltam para acompanhar em imagem as mudanças de direcção quando os "piscas" são activados ou nas manobras mais complexas de estacionamento, recursos mais do que úteis tendo em conta o tamanho do "eléctrico".
Bancos à frente e atrás aquecidos, ventilados e com função de massagem, e sistema áudio com 20 altifalantes são alguns dos "mimos" oferecidos, sem esquecer o accionamento eléctrico da bagageira com os seus 573 litros de capacidade.
Soma-se ainda o bom isolamento acústico do habitáculo para uma experiência de condução mais refinada num ambiente a bordo tranquilo.
… recarregamentos ultra-rápidos…
A compor a gama do Xpeng P7+ estão três versões, com a entrada na gama a fazer-se com o RWD Standard Range equipado com um propulsor de 180 kW (245 cv) e 450 Nm.
Capaz de cumprir os zero aos 100 km/hora em 6,9 segundos, é alimentado por uma bateria LFP de 61,7 kWh para 455 quilómetros combinados, com o recarregamento a fazer-se a 350 kW DC graças à arquitectura de 800 volts da sua plataforma.
Segue-se o RWD Long Range com os seus 230 kW (313 cv) e 450 Nm a permitirem acelerar até aos 100 km/hora em 6,2 segundos, com a velocidade máxima a ser tabelada eletronicamente nos 200 km/hora, como acontece nas outras versões.
O acumulador LFP de 74,9 kWh "promete" uma autonomia combinada até 530 quilómetros, sendo recarregável de dez a 80% em 12 minutos a 446 kW DC, um tempo equivalente para todas as variantes da gama.
Com dois motores, o AWD Performance assegura 370 kW (503 cv) e 670 Nm às quatro rodas, com os zero aos 100 km/hora a fazerem-se nuns rápidos 4,3 segundos; a bateria de 74,9 kWh, recarregável a 446 kW DC, assume até 500 quilómetros.
A berlina assume ainda um carregador de bordo de 11 kW para carregamentos em corrente alternada, e a função Vehicle-to-Load (V2L) para alimentar dispositivos eléctricos e electrónicos a 6 kW AC através dum adaptador opcional.
… e recheado de tecnologias avançadas
Para a melhor estabilidade numa condução mais desportiva, os engenheiros da Xpeng configuraram o chassis do P7+ com uma suspensão de duplo triângulo no eixo dianteiro, e uma suspensão multibraços no traseiro.
De série em toda a gama é o sistema de controlo de amortecimento contínuo (DCC) que permite reduzir a distância ao solo (e respectivo centro de gravidade) segundo o modo de condução escolhido.
E depois é o exclusivo chip Turing AI XP5 com elevada capacidade de computação a permitir assistentes à condução mais avançados, com maior rapidez no processamento de dados e uma evolução contínua através de actualizações remotas.
Sendo optimizado por inteligência artificial, suporta funcionalidades para a condução semi-autónoma em auto-estrada com mudanças de faixa mais suaves, e estacionamento remoto "inteligente", entre outras valências.
O XPilot Assist Driving assume o controlo adaptativo da velocidade de cruzeiro também em curva, mudança automática de faixa com centragem na via, limitador de velocidade "inteligente" e reconhecimento de sinais de trânsito.
Ágil na cidade…
O Aquela Máquina teve a oportunidade de guiar o Xpeng P7+ RWD Long Range num ensaio demasiado curto para perceber todas as suas possibilidades, mas o suficiente para sentir como é confortável e manobrável nas ruas de Lisboa.
O toque de classe percebe-se logo quando se abrem as portas sem moldura para dar entrada a um habitáculo requintado, mesmo se o arranjo do posto de condução seja demasiado convencional para o visual futurista que a berlina exibe.
Os primeiros quilómetros neste ambiente muito sereno são relaxantes graças ao conforto que a suspensão adaptativa de série oferece mas talvez demasiado "mole" para um gosto europeu que prefere um amortecimento mais directo.
Notável é a maneira progressiva como os 313 cv e 450 Nm são debitados às rodas traseiras para acelerações ágeis e ultrapassagens rápidas, manobra esta que pode ser feita de forma automática quando activada a condução semi-autónoma.
… e dinâmico em estrada aberta
Recursos tecnológicos à parte, e sem entrar numa condução desportiva para o qual a berlina não está concebida, as afinações do chassis são rigorosas o suficiente para não adornar em curva a velocidades mais elevadas.
Os balanços laterais da carroçaria são bem contidos, e as travagens muito consistentes, sejam elas mecânicas ou regenerativas, com esta última a dispor de vários níveis de recuperação de energia, incluindo o modo One Pedal.
A direcção poderia estar melhor calibrada para uma condução mais dinâmica, embora as vias mais sinuosas não convidem a grandes exageros; sem surpresa, o Xpeng P7+ prefere antes a auto-estrada, mesmo se a autonomia não seja deslumbrante.
Apesar dessa condicionante, o consumo em ambiente urbano, com uma rápida incursão à Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL) para ultrapassar os 100 km/hora, ficou abaixo dos 18 kWh/100 km, uma média encorajadora para um carro tão grande.
O Xpeng P7+ pode não ser um "eléctrico" perfeito para atacar os rivais europeus mais premium, logo evidente na autonomia, mas tem o mérito de assumir carregamentos ultra-rápidos para facilitar as viagens de longo curso.
E depois é a qualidade de construção e a sofisticação tecnológica a bordo que exibe, bem apoiado num pacote de equipamentos de série muito completo; pelo preço pedido, é difícil à concorrência mais directa oferecer algo semelhante.
| Versões | Preço Particulares | Preço Profissionais (sem IVA) |
| RWD Standard Range | Desde 46.986 euros | Desde 38.200 euros |
| RWD Long Range | Desde 50.990 euros | Desde 41.455 euros |
| AWD Performance | Desde 56.950 euros | Desde 46.300 euros |
Texto: Pedro Rodrigues Santos
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