BYD Atto 2 DM-i ''democratiza'' híbrido 'plug-in'; Atto 2 eléctrico eleva autonomia para 430 km

O anúncio foi feito em Novembro mas só esta terça-feira se "conheceram" em Lisboa as características técnicas (e respectivos preços!) do híbrido BYD Atto 2 DM-i, numa estreia reforçada pelo renovado Atto 2 100% eléctrico.

A insígnia chinesa explica que a tecnologia Super Híbrida Plug-in com Dual Motor, já presente nos Seal U e Seal 6, redefine o conceito do SUV compacto ao permitir a condução de formas distintas para 1.000 quilómetros combinados.

O Aquela Máquina já o levou para as estradas encurvadas em redor de Sintra e não deixou de ficar satisfeito com o desempenho e o comportamento do compacto urbano com espírito de carro de família.

Diferenças mínimas por fora

São elevadas as expectativas da BYD em redor do compacto Atto 2 DM-i agora chegado ao nosso país. Com 4,33 metros de comprimento, diferencia-se do "eléctrico" pelo pára-choques frontal redesenhado e pelas novas jantes.

Somam-se ainda a grelha frontal de maior (mas não muita) dimensão, e a recolocação dos emblemas na porta da bagageira.

Se essas evoluções visuais não chegarem para o distinguir do "irmão" alimentado a electrões, a nova cor Midnight Blue que o pinta por fora será exclusiva desta versão DM-i.

Espaço típico dum familiar

O mesmo acontece com a decoração do habitáculo, em tudo semelhante à do Atto 2 eléctrico, definido por materiais e acabamentos de qualidade, mesmo se se mantêm os plásticos rijos mas longe do olhar directo dos ocupantes.

Encastrado no tabliê destaca-se o painel de instrumentos de 8,8 polegadas, alinhado com um ecrã de 12,8 polegadas para o sistema de infoentretenimento mais responsivo com o suporte da última evolução do software da BYD.

Além do controlo por gestos da climatização, os comandos por voz estão mais naturais graças à mais recente tecnologia de inteligência artificial generativa.

Botões físicos para as funções mais comuns só mesmo no volante, com a consola central a dispor de comandos para passar de andamento eléctrico para híbrido, ou para seleccionar os modos de condução.

O espaço a bordo é generoso, principalmente para quem viaja nos bancos traseiros graças aos 2,62 metros que separam os dois eixos, sem esquecer os 425 litros da bagageira e ao tejadilho panorâmico a "iluminar" o habitáculo.

Carregamento só em AC

Proposto apenas no acabamento Boost, o SUV hibridizado assume um motor tetracilíndrico a gasolina do ciclo Atkinson com 98 cv e 122 Nm, e um propulsor eléctrico de 145 kW (197 cv) para uns combinados 212 cv e 300 Nm.

Os zero aos 100 km/hora cumprem-se em 7,5 segundos para uns máximos 180 km/hora, com a bateria LFP de 18 kWh brutos a assegurar até 90 km eléctricos numa autonomia combinada até 1.000 km.

Ponto negativo é o acumulador ser apenas recarregável em corrente alternada a uns máximos 6,6 kW, o que obriga a uma "espera" em redor das três horas para o carregamento completo.

E depois são os inúmeros recursos disponíveis para assistir a condução, pontuados pelo cruise control adaptativo "inteligente" com manutenção de faixa, e pela monitorização do condutor, não tão intrusivo como se poderia esperar.

Mais suave do que ágil

E como se porta este Atto 2 DM-i na estrada? Nada mal para um híbrido plug-in a pesar 1.620 kg na balança, mesmo se está mais apontado ao conforto do que ao dinamismo.

Tal postura está longe de ser uma desvantagem para este familiar compacto concebido claramente para a condução urbana e suburbana em modo eléctrico, contando com o apoio do motor a combustão para viagens de longo curso.

Em ambiente citadino destaca-se a suspensão macia e o bom isolamento acústico a baixa velocidade, sem esquecer uma boa agilidade para fugir aos constrangimentos do trânsito.

Pena é a recuperação de energia, entre os dois níveis à escolha no ecrã multimédia, ser quase insignificante quando se tira o pé do acelerador, algo que até pode ser menosprezado face ao baixo consumo eléctrico na cidade.

Outros submenus no infoentretenimento "escondem" opções para afinar a sensibilidade do pedal do freio, que é consistente e fácil de modular, e da direcção, embora se mostre menos precisa e responsiva em estrada aberta.

Limitado em estradas sinuosas

Em auto-estrada poucos reparos há a fazer dum Atto 2 DM-i que privilegia o bem estar a bordo, apenas interrompido de forma bem sonora pelo ruído do vento antes de chegar-se aos 100 km/hora.

É quando se aventura por estradas mais sinuosas que revela rapidamente os seus limites, próprios dum SUV com um alto centro de gravidade com os seus 1,68 metros de altura.

A inclinação significativa em curva, mesmo se permanece seguro graças a uma suspensão firme, demonstra que está longe de ser um desportivo, apesar da potência que tem ser mais do que suficiente para assumir essa postura.

Uma potência que é entregue de forma muito gradual, sem quase reflectir os mais de 200 cv declarados na ficha técnica, com o motor térmico a ser muito discreto quando entra em acção.

Consumos bem controlados

O motor eléctrico assume-se assim como a principal fonte de energia para as rodas dianteiras (e também para recarregar a bateria), garantindo uma condução suave graças a um generoso binário de 300 Nm.

Quanto a consumos, em rolamento misto e sempre em modo híbrido, conseguiu-se uma média ponderada à volta dos 5,5 litros/100 km, com o modo 100% eléctrico a fixar-se em redor dos 17 kWh/100 km.

Face à autonomia anunciada de 1.000 km, é preferível contentar-se com cerca de 800 quilómetros, o que mesmo assim é bastante notável.

"Eléctrico" vai mais longe

À boleia do Atto 2 DM-i, a BYD apresentou a evolução mais recente do Atto 2 Comfort totalmente alimentado a electrões, tendo como principal novidade a bateria LFP de 64,8 kWh para 430 km combinados.

Sem evolução estética por fora em relação ao antecessor, o SUV compacto foi actualizado com vidros escurecidos e portas USB mais rápidas, enquanto a capacidade da bagageira cresce para 450 litros como se quer num familiar.

O aumento de peso para 1.720 kg, devido ao novo acumulador, "obrigou" a equipá-lo com um motor de 150 kW (204 cv) e 310 Nm para conseguir os zero aos 100 km/hora em 7,9 segundos, e 160 km/hora de velocidade de ponta.

A potência de carregamento foi elevada para os 155 kW DC, bastando-lhe 25 minutos para fazê-lo de dez a 80%, ou 19 minutos para ir de 30 a 80%, mantendo-se os 11 kW máximos em corrente alternada.

Versão Preço
BYD Atto 2 DM-i Boost Desde 33.990 euros
BYD Atto 2 Comfort Desde 37.990 euros

Texto: Pedro Rodrigues Santos

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