É uma aposta de vulto a que o Mazda CX-6e se propõe no mundo eléctrico: construído na plataforma do grupo chinês Changan em que é montado o Mazda6e, recupera vários elementos da berlina numa combinação de estilo, desempenho e tecnologia.
Resumido apenas a uma motorização de 190 kW (258 cv) e 290 Nm passados às rodas traseiras, assume-se como um familiar polivalente num ambiente próprio dum premium, com a autonomia a chegar a uns combinados 484 quilómetros.
O Aquela Máquina já teve oportunidade de testá-lo na apresentação internacional que está a decorrer esta semana em Dusseldorf, na Alemanha, e o resultado final não poderia ser mais promissor.
Sedução estética…
Como o CX-6e, a Mazda confirma as suas ambições para seduzir o público europeu no cada vez mais concorrido segmento dos SUV alimentados a electrões.
Visual disruptivo por fora, materiais de qualidade num habitáculo bem acabado, e tecnologias de última geração fazem dele uma proposta a ter em conta para quem procura um SUV para toda a família com uma autonomia que elimine a ansiedade eléctrica.
Esticado aos 4,85 metros de comprimento, o Mazda CX-6e não parece tão volumoso como as suas cotas podem fazer pensar: a linguagem estilística Kodo permitiu criar uma aparência tão elegante como no Mazda6e.
A rematar a estética está uma assinatura luminosa frontal em forma de asa, contrastada pelo pilar C em forma de bumerangue, com as portas sem moldura e os puxadores escamoteáveis a conferirem-lhe uma "originalidade" muito bem conseguida.
Originalidade que prossegue numa traseira muito compacta, realçada pelas ópticas que quase se "chocam" não fosse o lettering Mazda "cortá-las" a meio, enquanto uma terceira luz de travão sob a asa superior completam o conjunto.
Assinalam-se ainda as entradas de ar nas laterais do pára-choques dianteiro, assim como nos pilares C para reforçar a força descendente na traseira, sem esquecer a pequena asa sobre o capô para reforçar o peso sobre o eixo dianteiro.
A compor o conjunto estão jantes de 19 polegadas no acabamento Takumi, e de 21 polegadas no Takumi Plus, com a distinção neste acabamento topo de gama a ser visível nos retrovisores digitais laterais, como também é o do habitáculo.
… em ambiente premium…
Se por fora o CX-6e poderá dividir opiniões, é a bordo que as mudanças estão mais presentes face a um Mazda convencional: desaparece o painel de instrumentos enquanto a ergonomia sofre com a falta de botões físicos para as funções mais comuns.
A fazer esse papel está um visor multimédia tão "gigante" como confirmam as suas 26,45 polegadas centradas no tabliê, com ajustes tão simples como os dos retrovisores laterais a terem de ser feitos através do ecrã.
Ao ambiente tecnológico somam-se um visor head-up no pára-brisas, comandos vocais e gestuais, e até um ecrã táctil dedicada aos bancos traseiros para regular a climatização, a cortina do tejadilho panorâmico ou até o avanço do assento do "pendura"
O que não falta é espaço a bordo, graças aos 2,90 metros que separam os dois eixos, com os materiais e acabamentos a serem próprios dum premium do melhor nível.
Todavia, ao privilegiar o conforto para quem viaja atrás, é a capacidade do porta-bagagens a ressentir-se: apenas 363 litros até à "chapeleira" ou 468 litros se as malas baterem no tecto; sob o capô estão mais 80 litros para guardar os cabos de carregamento.
… em mais de 480 km eléctricos
Se o Mazda6e oferece duas motorizações com baterias diferenciadas, o CX-6e propõe-se apenas com um propulsor de 190 kW (258 cv) e 290 Nm passados às rodas traseiras.
Números mais do que ágeis para lançar o SUV em 7,9 segundos dos zero aos 100 km/hora face a um peso em vazio que supera os 2.100 quilos
A alimentá-lo está uma bateria LFP de 78 kWh para 484 quilómetros combinados, uma distância algo inferior aos principais rivais, face a um consumo médio de 19,0 kWh por cada 100 quilómetros.
Apoiado numa arquitectura eléctrica de 400 volts, bastam 24 minutos para recarregá-la de dez a 80% desde que se possa fazê-lo a 200 kW DC; em corrente alternada são necessárias 8h30 a uns máximos 11 kW para carregá-la na totalidade.
Efectivo no dia a dia citadino…
Nos primeiros metros ao volante do CX-6e com o acabamento Takumi, na cidade pouco há a diferenciá-lo dos seus principais rivais em termos de desempenho e agilidade, mas o conforto atrás ressente-se duma suspensão algo dura a baixa velocidade.
Assinalam-se também os alertas dos sistemas de assistência, que alguns condutores podem achar irritantes, mas que cumprem a sua função numa condução mais distraída.
A ajudar nas manobras mais complexas está uma rede de câmaras de alta definição a 360 graus, radar de ondas milimétricas e sensores ultrassónicos para melhorar a visibilidade e a percepção de tudo o que rodeia o SUV.
… e confortável em longo curso
É em estrada aberta que melhor se percebem as qualidades (e deficiências) desta proposta, a começar pela efectividade da velocidade de cruzeiro adaptativa aliada a outros sistemas de apoio.
Os apêndices aerodinâmicos cumprem bem a função para que foram concebidos, sendo de realçar o bom isolamento acústico para manter os ruídos parasitas fora do habitáculo.
Num convite a uma condução mais calma e suave do que desportiva, como se quer num carro dedicado à família, saúda-se o conforto a bordo, mesmo se não consiga travar os inevitáveis balanços laterais num ataque mais acelerado às curvas.
Nada que seja demasiado incomodativo se não se entrar numa postura mais dinâmica, já que é a partir desse momento que se percebe como o chassis poderia ter uma afinação bem mais eficiente.
O mesmo acontece com a direcção, que poderia ser mais consistente para melhor se sentir o asfalto, mas sem penalizar demasiado a qualidade de condução.
Se é certo que há rivais mais efectivos nas propostas que oferecem, a Mazda tem neste CX-6e a vantagem de propor um SUV que cumpre a sua missão familiar, tendo no preço um dos argumentos mais radicais para vingar neste mercado tão competitivo.
| Acabamento | Interiores | Jantes | Preço |
| Takumi | Black Trim | 19 polegadas | Desde 41.544 euros |
| Takumi | Warm Beige Trim | 19 polegadas | Desde 41.544 euros |
| Takumi | Black Trim | 21 polegadas (Pack Alloy Black Silver) | Desde 42.744 euros |
| Takumi | Warm Beige Trim | 21 polegadas (Pack Alloy Black Silver) | Desde 42.744 euros |
| Takumi Plus | x x x x x x x | 21 polegadas | Desde 44.544 euros |
Texto: Pedro Rodrigues Santos
Já segue o Aquela Máquina no Instagram?
Artigos Relacionados
Estes artigos podem interessar: