Asma grave: a doença difícil de tratar que afeta 70 mil portugueses
Quadro clínico da doença tem um grande impacto na qualidade de vida dos doentes e requer tratamento com doses elevadas de corticoides inalados.
Sabia que a asma é responsável por 180 mil mortes anuais em todo o mundo? A nível mundial, a asma afeta aproximadamente 242 milhões de pessoas. Destes, 700 mil são portugueses, o que corresponde a 6,8% da população.
Do número total de pessoas com asma, 10% sofre de asma grave, um quadro clínico da doença que tem um grande impacto no dia a dia e na qualidade de vida dos doentes, requer tratamento com doses elevadas de corticoides inalados e um controlador adicional para prevenir o descontrolo da doença.
A asma grave é um subtipo da doença que é muito mais difícil de tratar e tem muito mais impacto na vida pessoal, familiar e social, bem como económica, atendendo à quantidade de consultas, tratamentos e exames necessários.
Esta doença, quando diagnosticada cedo, pode ser controlada e há quem ache que a aragem do mar pode ajudar no tratamento. Mas será isto verde? Especialistas defendem que não.
O que é a asma?
Mas para perceber do que se trata este subtipo de asma, é importante compreender do que se trata afinal esta doença inflamatória. Especialista na área, Inês Belchior – pneumologista na região do Algarve – explica ao CM que "a asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas que condiciona sintomas nos doentes".
Os principais sintomas passam por "falta de ar, pieira e aperto no peito". A especialista refere que "estes sintomas surgem porque a inflamação que existe nos brônquios faz com que o calibre deles diminua fiquem mais apertados do que o normal".
Tipos de asma
A asma pode dividir-se em vários subgrupos. "No geral a asma é divida em alérgica e não alérgica", diz a pneumologista referindo que "a asma alérgica é a mais comum, mais habitual". Este tipo de doença inflamatória "começa em idades mais jovens e tem a ver com exposição e sensibilização dos doentes afetados a alguns alergénios". Estes podem ser alergénios inalados ou alimentares, ou pode estar associada a uma reação a poeiras, fumos e ao ar frio.
Tratamentos a seguir
A base do tratamento da asma são os corticoides, "um anti-inflamatório que vai combater a inflamação que existe na asma", explica a doutora. "Outro medicamento usado é o broncodilatador, que vai conseguir alargar os brônquios que estão apertados", continua.
O medicamento mais comum é, de facto, o corticoide. No entato, avança "é óbvio que os corticoides têm alguns efeitos colaterais", revela Inês Belchior. Para prevenir esses efeitos, procura-se administrar os corticoides por "via inalada". Desta forma, o medicamento é empregue ao doente diretamente no local onde eles têm que atuar e são, assim, pouco absorvidos no resto do corpo. "Isso leva a que eles sejam eficazes onde têm que atuar e não causem feitos secundários", justifica.
No caso da asma grave, Inês Belchior revela que existem, atualmente, os tratamentos biológicos. Estes "são anticorpos criados em laboratório que vão atuar diretamente a nível do mecanismo fisiopatológico que leva a desencadear a asma e as suas crises". As pessoas com asma grave têm dificuldade em controlar os sintomas do dia a dia e têm um risco elevado de sofrer uma agudização – ataque de asma.
O que fazer em caso de ataque de asma
Quando estamos perante um ataque de asma – agudização – pensamos, de imediato, o que fazer. Ao CM, a pneumologista explica que "em doentes já diagnosticados é mais fácil agir porque normalmente os doentes têm o seu próprio inalador de alívio, a medicação de SOS". Em causa de urgência, os doentes devem tomá-la.
"Os doentes que não estão diagnosticados nem se vão aperceber de que estão a ter um ataque de asma. Mas conforme a gravidade da situação devem ir a um serviço de saúde", avança a especialista.
Se a pessoa apresentar grandes dificuldades na respiração, é aconselhável que se dirija ao serviço de urgência mais próximo. Caso exista algum espaço de manobra, a pessoa deve "marcar consulta no médico de família e, eventualmente, iniciar um diagnóstico e um tratamento".
A asma pode matar
A taxa de mortalidade na asma é pequena, mas a verdade é que esta doença crónica pode ser fatal.
Para prevenir esse desfecho, o problema deve ser controlado. Se tal acontecer, "a maior parte das pessoas consegue ter uma vida normal", afirma Inês Belchior, acrescentando que "quando os doentes estão tratados, o risco de morrerem é muito baixo".
O problema surge quando as asmas não são controladas. "A asma não controlada pode matar, quer os doentes que precisam de pouca medicação, quer nos que precisam de muita", atira a pneumologista.
A diferença prende-se com o facto de o doente ser controlado e seguido por um médico ou não. "Existem situações em que os doentes muitas vezes nem sabiam que tinham asma, não conseguiram reconhecer os sintomas e recorreram à urgência já muito tarde", exemplifica a médica. Nesses casos, "revela-se uma crise de asma muito difícil de reverter e o doente acaba por não sobreviver. Mas isso é uma situação rara", revela a especialista ao CM, comentando que também a taxa de internamento de doentes asmáticos em Portugal é baixa.
A aragem do mar ajuda os asmáticos: mito ou verdade?
"É um mito", diz Inês Belchior. "Não há nenhum mecanismo patológico que explique essa relação. Essa relação não está cientificamente documentada. Para além de que é uma associação difícil de fazer porque a asma não é toda igual e as causas da asma também não são todas iguais", justifica a pneumologista.
Campanha "Vencer a Asma"
Para promover a consciencialização e alertar para as consequências desta doença, a campanha "Vencer a Asma" esteve recentemente no Algarve (Portimão e Faro) num roadshow exclusivo para a região. Durante o evento foram realizados rastreios, através de espirometrias e testes do controlo da asma, e distribuída informação sobre a asma grave.
Alertar a população para a importância do controlo da asma e reconhecimento dos seus sintomas e distinção dos casos de asma não controlada ou asma grave foram os grandes objetivos desta edição da campanha.
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