Demora na ida para o hospital limita opções de tratamento do AVC
Aos primeiros sintomas, devem ser acionados os meios de emergência através do 112.
"Há muito que podemos fazer pelo doente nas primeiras horas desde o início dos sintomas. Mas, se se passarem muitas horas desde a última vez que o doente esteve bem, ficamos muito limitados nas possibilidades de tratamento", alerta Miguel Rodrigues, médico neurologista e coordenador da Unidade de AVC do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
"Chama-se um trombolítico e vai tentar dissolver o coágulo que está a afetar a artéria, que a está a bloquear", explica Miguel Rodrigues, que recebe "dois a três doentes por dia" através da Via Verde do AVC. Um grupo "ainda mais selecionado" pode ser submetido a um cateterismo.
"Temos de estar empenhados"
Diana Wong Ramos, de 41 anos, tinha 34 quando sofreu um AVC. "Estava a recuperar de uma cirurgia a uma hérnia e comecei a sentir dores de cabeça muito fortes, com vómitos. Lembro-me de querer lavar as mãos e não ter força. Felizmente, estava em casa com o meu marido, que ligou para o 112", recorda a jornalista, que se reformou devido às sequelas que lhe retiraram a função da mão esquerda.
A recuperação foi lenta, mas desistir nunca esteve em cima da mesa e a motivação partiu da família, sobretudo dos três filhos. "Temos de estar empenhados em querer recuperar, senão a reabilitação é em vão", diz.
Conselho da Semana
Há fatores de risco do Acidente Vascular Cerebral (AVC) que podem ser controlados, basta ter força de vontade para mudar alguns hábitos prejudiciais.
O tabaco deve ser cortado da rotina. Há cada vez mais opções para deixar de fumar, incluindo com o apoio de consultas de cessação tabágica. Os maus hábitos alimentares, com excesso de gordura, também devem ser revistos para reduzir o risco de AVC.
"Via Verde foi desenvolvida para não se perder tempo"
"A Via Verde do AVC foi desenvolvida para não se perder tempo. Quando passa demasiado tempo, o doente deixa de poder fazer os tratamentos porque já não vai beneficiar deles durante a recuperação", refere Miguel Rodrigues, médico neurologista e também membro da direção da Sociedade Portuguesa do AVC.
Aos primeiros indícios de que a pessoa está a sofrer um AVC, como apresentar a boca ‘ao lado’ ou perder força nas mãos, deve ser feito o contacto para o 112. "O INEM sabe quais são as unidades que têm a Via Verde, notifica o hospital e nós sabemos que a vítima vai chegar. O transporte é feito por pessoas que estão habituadas a socorrer vítimas. Depois, é tudo muito mais rápido. Se o doente vem pelos próprios meios para as Urgências, tem de dar entrada, passar pela triagem. Perde-se tempo", sublinha o coordenador da Unidade de AVC do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Mais de 60 doentes já foram tratados este ano nesta unidade hospitalar com o medicamento que tem como missão dissolver o coágulo.
"Problema importante no Alentejo’’
Miguel Rodrigues - Médico especialista em Neurologia
Há cerca de 30 unidades de AVC no País. São suficientes?
Miguel Rodrigues – Temos áreas da nossa geografia que, infelizmente, não estão cobertas por unidades de AVC. Temos um problema importante no Alentejo. É uma área em que a unidade mais desenvolvida fica em Évora, mas depois as de Beja e Portalegre não estão muito bem servidas. Temos uma área, que na verdade é quase metade do País, onde faltam unidades destas.
– Quais os riscos do atraso no tratamento?
– Cerca de um minuto sem circulação cerebral mata quase dois milhões de células do sistema nervoso.
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