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Rapidez no diagnóstico de Artrite Reumatóide evita deformações

Deteção da doença nos primeiros seis meses após o início dos sintomas permite proteger o doente da incapacidade.
Por Cláudia Machado 20 de Maio de 2018 às 09:04
Artrite reumatóide
Artrite reumatóide FOTO: iStockphoto
As estimativas da Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (ANDAR) apontam para que existam cerca de 40 mil pessoas em Portugal diagnosticadas com esta doença inflamatória crónica, que afeta e deforma as articulações e pode levar à incapacidade. Mas, segundo vários estudos na área da reumatologia, o peso deste problema pode ser aliviado para os doentes através do diagnóstico precoce.

"Quando a pessoa recebe o diagnóstico, deve ser imediatamente referenciada para um especialista em reumatologia para começar a ser tratada o mais rapidamente possível", explica Arsisete Saraiva, presidente da ANDAR. Aproveitando esta ‘janela de oportunidade’ - diagnóstico feito nos primeiros seis meses após o início dos sintomas - é possível lutar contra e evitar "as deformações nas mãos e nos pés, as baixas por doença no trabalho e a reforma antecipada". "Pelo bem do doente e do Estado, todos poupam desta forma", destaca Arsisete Saraiva.

Os sintomas da artrite reumatoide passam pela dor e inflamação articular, à qual pode ser associada uma sensação de rigidez nos movimentos, sobretudo no período da manhã. A doença pode ainda manifestar-se através de febre e de redução da força aliada a um estado de cansaço.

SAIBA MAIS
1800
foi o ano em que o médico francês Augustin Jacob Landré-Beauvais fez aquela que é considerada a primeira descrição de artrite reumatoide. Este relato associava a doença à gota, outro problema reumatológico.

Nome atribuído em 1859
Só em 1859 foi atribuído à doença o nome pelo qual ainda hoje é conhecida. O termo artrite reumatoide foi criado por Alfred Baring Garrod, médico britânico reconhecido com o título de ‘Sir’, entre outras honras.

Conselho da semana
A Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (ANDAR) apela aos doentes para que "nunca desistam do tratamento, pois é a única forma de prevenir a progressão da doença e de esta entrar em remissão". Segundo a ANDAR, "a depressão é o problema psiquiátrico mais frequentemente associado à artrite reumatoide", por isso deve ser procurada ajuda especializada ao primeiro sinal desta doença.

"Doente deve fazer parte da decisão"
Arsisete Saraiva, presidente da ANDAR

A ANDAR denuncia frequentemente a troca de medicamentos nos hospitais. Porquê?

Arsisete Saraiva – Neste momento já há muitos medicamentos biossimilares para esta doença, que são mais baratos. Não temos nenhum problema com o uso destes medicamentos, a partir do momento em que o doente e o seu médico foram informados da troca.

– O que devem fazer os doentes em caso de troca?
– Devem perguntar ao farmacêutico o porquê da troca e se o médico foi informado. O doente deve fazer parte da decisão, é o corpo dele.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã.


Sintomas
Os sintomas com que se apresenta resultam tipicamente da inflamação das articulações e tendões. O FR (fator reumatoide) no soro está presente em 66% dos casos, embora o mesmo possa acontecer em pessoas saudáveis. 
  • Dor e inchaço articular
  • Articulações rígidas por mais de 1h, melhorando com a atividade física
  • Padrão de afeção simétrico
  • Deformação articular
  • Manifestações extra-articulares podem aparecer até antes do envolvimento articular 

Como se trata
O tratamento usado nesta doença é muito variável, havendo doentes a quem basta uma aspirina diária a outros que necessitam de terapêutica com agentes biológicos e imunossupressores.
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