Estado máximo de ansiedade gera ataques de pânico
Os batimentos cardíacos são mais fortes e há dificuldades em respirar, assim como uma sensação de desmaio.
O pânico define um estado máximo de ansiedade, que é maior quanto mais medo a pessoa tiver. Estima-se que 16,5% dos portugueses sofra de ansiedade, ou seja, mais de um milhão e meio de pessoas.
Devido ao primeiro episódio, surge um medo desmedido de voltar a sentir os mesmos sintomas. E é essa a razão dos ataques de pânico seguintes. "O primeiro ataque é algo que me traumatiza. Há uma dificuldade na gestão emocional do medo", diz Pedro Brás.
As pessoas começam depois a evitar locais e situações semelhantes àquelas onde estavam, uma vez que fazem uma associação mental errada com as circunstâncias durante as quais tudo aconteceu. Uma crise pode demorar entre quinze e trinta minutos, que é quando termina a descarga de adrenalina.
"Qualidade de vida é muito afetada"
Os ataques de pânico afetam a qualidade de vida?
Pedro Brás - Sim, muito. Imagine que tem um ataque num centro comercial, sai para a rua e melhora porque a adrenalina acabou. Só que fica com uma crença forte e errada de que, se tivesse ficado lá, morria. Quando lá volta, há um medo inconsciente, tem outro ataque e passa a evitar sítios cheios de gente. Se teve o ataque sozinho em casa, nunca mais consegue ficar sozinho.
– Esses ataques seguintes são iguais ao primeiro?
– As sensações são iguais mas as razões são diferentes. A primeira vez é uma coisa espontânea, não tenho medo de nada. Na segunda vez, já tenho pânico porque tenho medo de voltar a sofrer o mesmo.
O meu caso
"Tive uma sensação de morte"
"O meu primeiro ataque de pânico foi em casa, estava a jantar e subitamente o meu coração disparou, não estava em nenhuma situação de perigo que me levasse a ter tais sensações", recorda Inês Costa, que vive em Vila do Conde.
Os ataques de pânico da assistente dentária, de 28 anos, tornaram-se constantes, sobretudo em sítios fechados. "O pior foi num shopping, tive uma sensação de morte. Parecia que o coração ia sair pela boca, tremia muito", explica.
Inês fez tratamento com psicoterapia e melhorou. Antes, evitava saídas com amigos por medo de ter um ataque.
Conselho da semana
Dormir tempo suficiente e com qualidade é essencial para um bom equilíbrio emocional. Por isso, tente sempre dormir sete a oito horas por noite, de forma contínua, num ambiente silencioso e sem luz.
Antes de se ir deitar, evite atividades com ecrãs, como ver televisão, estar ao telemóvel ou no computador. Nas quatro horas antes de ir para a cama, não faça refeições pesadas, picantes e com excesso de açúcar.
Organize as tarefas do dia de manhã e por prioridade
A ansiedade caracteriza-se por uma preocupação excessiva em relação a uma situação que irá acontecer. Além dos ataques de pânico, pode ter manifestações noutras doenças mentais, como as perturbações obsessivo-compulsivas e o stress pós-traumático.
Nos sintomas da ansiedade, encontram-se sensações injustificadas de medo, problemas de concentração, irritabilidade, tensão muscular, suores repentinos e insónias.
Segundo alguns psicólogos, organizar as tarefas do dia logo de manhã, por ordem de prioridade, pode permitir ter uma maior sensação de controlo. Dessa forma, é evitado o medo de não conseguir estar à altura das exigências que tem pela frente. Já a prática regular de exercício físico ajuda a diminuir a irritabilidade.
Se sofre de ansiedade, evite isolar-se. Estar com outras pessoas não só lhe permite ter ajuda, como também lhe dá pontos de vista menos negativos do que o seu sobre os seus medos. Não deve ainda ingerir bebidas alcoólicas, uma vez que o álcool abranda o funcionamento do cérebro.
Desvalorizar memórias com sonhos
A Amorfese e a Áthenese são duas técnicas da psicoterapia que podem ser usadas para tratar os ataques de pânico. Na primeira, são induzidos sonhos. "Eu vou dizendo no que é que devem pensar e para começarem a desvalorizar certas memórias", diz Pedro Brás.
Na Áthenese, há um diálogo com o paciente, em que o psicoterapeuta o ajuda a pensar nos medos de um outro ponto de vista.
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