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Número de pessoas afetadas por alergias alimentares aumentou 18%

Dados da associação Alimenta revelam que, só entre as crianças, a incidência de alergias cresceu cerca de 50%.
Por Francisca Genésio 7 de Janeiro de 2018 às 08:01
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
Número de pessoas com alergias alimentares aumentou 18%
O número de pessoas com alergias alimentares em Portugal aumentou cerca de 18% na última década. No caso das crianças, o aumento é de aproximadamente 50%, revelam os dados fornecidos ao CM pela Alimenta - Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares.

Atualmente, e "por comparação internacional, estima-se que cerca de 8% das crianças e 4% dos adultos sofram de alergias alimentares", explica Ana Lúcia Silva, nutricionista do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa, e vice-presidente da Alimenta.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as "alergias alimentares são reações adversas desencadeadas por alimentos, mais concretamente pelas proteínas alimentares, designadas de alergénios. Estão associadas a mecanismos de resposta imunológicos".

Na prática, "o sistema imunológico reconhece erradamente um alimento como se de um agente agressor ao organismo se tratasse", explica a nutricionista.

Os sintomas podem levar entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alimento a manifestarem-se, causando reações cutâneas, respiratórias, gastrointestinais e cardiovasculares. A anafilaxia é a manifestação alérgica mais grave, que pode resultar em dificuldade respiratória, perda de consciência ou mesmo morte, se não for imediatamente tratada.

"Reação grave aos 4 meses" 
Marlene Pequenão, 39 anos, descobriu que o filho, Pedro, de seis, era alérgico às proteínas do leite de vaca quando este tinha quatro meses, depois de ter feito uma "reação alérgica grave a uma papa".

Os pais foram apanhados de surpresa porque não havia nenhum caso de alergias alimentares na família. "Tivemos de suprimir praticamente tudo o que tenha proteínas do leite de vaca, lemos sempre os rótulos, acautelamos questões como a contaminação cruzada e andamos sempre com um kit de emergência", explica a mãe do menino.

Alergia ao marisco é comum 
Entre os alimentos que mais alergias alimentares causam estão "o leite de vaca, o ovo, o amendoim e frutos secos de casca rija, o peixe, o marisco, o trigo e a soja. Estes alimentos são responsáveis por aproximadamente 90% das reações alérgicas", afirma a nutricionista Ana Lúcia Silva.

A resposta alérgica varia consoante a quantidade ingerida/contactada, porque "pode ser desencadeada por vapores ou migalhas", podendo ainda por vezes existir uma alergia a um alimento e não a outros dentro do mesmo grupo alimentar.

"É possível uma pessoa ser alérgica a leite e não a iogurtes ou outros derivados, ou ainda a um animal e não a outros, como ao leite de vaca e não ao leite de cabra ou ovelha", esclarece Ana Lúcia Silva, acrescentando que "alguns produtos que sofreram a ação do calor podem deixar de provocar a resposta alérgica".

A abordagem terapêutica passa pela prevenção e tratamento das reações. A adrenalina/epinefrina subcutânea autoinjetável é aplicada no tratamento de emergência, em situações de anafilaxia. 

CONSELHO DA SEMANA 
A leitura dos rótulos dos produtos alimentares "é fundamental e aconselha-se a conhecer todas as designações do alergénio alimentar", diz a nutricionista Ana Lúcia Silva.

Segundo a especialista, a população deve ter especial cuidado, em caso de alergia ou intolerância, na forma como as refeições são preparadas em contexto não familiar. Pode haver uma manifestação alérgica devido à contaminação cruzada.

"Aparecem em todas as idades" 
Ana Lúcia Silva - Vice-presidente da associação Alimenta
Em que idade aparecem as alergias alimentares?

Ana Lúcia Silva – É mais comum aparecerem na infância, dada a imaturidade imunológica da barreira intestinal. Mas podem aparecer em todas as idades.

– A história familiar é uma das causas para o aparecimento das alergias?
– Os mecanismos que desencadeiam as respostas adversas não estão totalmente esclarecidos. As características da flora intestinal, introdução precoce de alimentos e imaturidade gastrointestinal na criança são fatores determinantes no que diz respeito às causas das alergias alimentares, tal como a genética.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã. 

Sintomas
Os sintomas experienciados são resultado de vários fatores como o tipo de alergia e a sua gravidade. A resposta do sistema imunitário provoca distúrbios da pele ou dermatites (como a urticária e o eczema), problemas nas vias respiratórias (asma brônquica, edema da glote, rinite vasomotora), alterações gastrointestinais e inflamação das mucosas (gengivite, glossite, estomatite).

Prevenção
As pessoas alérgicas devem tomar medidas preventivas, evitando ao máximo os produtos ou situações em que possam ficar expostas aos alergénios que as afetam. Por exemplo, os indíviduos alérgicos ao pólen devem utilizar luvas e máscara para poderem manusear flores e ter muito cuidado com abelhas e vespas.

Algumas causas
  • Alimentos: peixe ou carne de porco, marisco, proteínas do ovo ou do leite, citrinos, frutas como o morango ou a framboesa, chocolate, enchidos, espinafres. Produzem maioritariamente sintomas cutâneos e gastrointestinais.
  • Produtos epidérmicos: pelos e caspa de animais domésticos. 
  • Produtos vegetais: pólen de flores, o epitélio de alguns frutos, farinha de cereais, algodão, sumaúma, entre outros.
  • Produtos químicos (de limpeza ou cosméticos).
  • Bactérias: provocam hipersensibilidade que é contraída com algumas doenças infeciosas (tuberculose, quisto hidático).
  • Terra, pó, ácaros e fungos.
  • Fibras sintéticas, de lã ou de seda.
  • Medicamentos, tais como a penicilina.

Como se trata
Geralmente, o médico receita anti-histamínicos e corticoides. Para prevenir novas reações alérgicas, realiza exames e testes de alergia e, de acordo com os resultados, indica vacinas orais ou injetáveis que promovem a exposição a quantidades bem doseadas de alergénios, para que o organismo os possa neutralizar com reações moderadas. Desta forma, o corpo vai progressivamente perdendo a sensibilidade e deixa de responder patologicamente. 
Estes tratamentos são complementados com dietas das quais se eliminam alguns alimentos que podem ser os causadores das reações alérgicas.  

Caso de Emergência
Uma alergia pode causar um choque anafilático, que constitui uma emergência médica. Este caracteriza-se por edemas das vias respiratórias com hipoxia grave (diminuição da concentração de oxigénio no sangue ou nos tecidos) e queda da pressão arterial, podendo causar a morte em poucos minutos. 
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