Acne é o grande inimigo dos adolescentes
Com o início da puberdade, surgem as primeiras borbulhas, um dos maiores inimigos dos adolescentes no que respeita à aparência física.
"A partir da puberdade, assiste-se ao aumento da secreção de hormonas sexuais, ocasionando uma resposta inflamatória ao nível do folículo pilossebáceo [poros na pele]", explica o dermatologista Paulo Santos. Esta reacção, diz, dificulta a drenagem do sebo. A acumulação de sebo e células mortas, refere o especialista, favorece o crescimento de bactérias que vivem nos folículos e que contribuem para o aparecimento da inflamação. Em consequência, formam-se comedões (pontos negros) e pústulas (borbulhas).
O senso comum considera que a ingestão de alguns alimentos – como chocolate ou fritos – potencia o aparecimento de borbulhas. Não há, porém, nenhuma evidência científica a esse respeito. Além da idade, a prevalência é influenciada por factores hereditários.
O acne desaparece no fim da adolescência, aos 20 anos. Contudo, este problema pode persistir ou iniciar-se nos adultos, sobretudo nas mulheres – o acne tardio. Por sua vez, as borbulhas da adolescência atingem maioritariamente o sexo masculino.
"Surge em consequência de algumas alterações hormonais devido a disfunções ovarianas, alterações das glândulas supra--renais ou um aumento da sensibilidade da pele às hormonas androgénicas (masculinas)", alerta o dermatologista Paulo Santos.
A prevenção passa, obrigatoriamente, pela higiene e pela limpeza da pele. Só assim se consegue remover o excesso de gordura, de partículas ou de outras impurezas que, ao obstruírem os poros, agravam o problema de pele.
Remédios orais para tratamento
Para tratar o acne, há medicamentos tópicos – de aplicação directa na pele – e orais. Quando o acne é ligeiro a moderado, a pessoa é aconselhada sobre cuidados de higiene a seguir. Nos casos mais graves, a terapêutica é mais agressiva. Há os medicamentos retinóides, que conseguem desobstruir os poros; e os antimicrobianos e antibióticos, que previnem o aumento da inflamação em redor da lesão, eliminando bactérias.
O meu caso: Tomás Caetano
Tomás Caetano tinha 14 anos quando apareceram as primeiras borbulhas, sobretudo no queixo e na testa. "Sempre associei à puberdade e não me preocupei muito", confessou este comissário de bordo, de 31 anos. Com as idas ao dermatologista e os tratamentos, o problema ficou atenuado, mas não completamente resolvido. As borbulhas voltaram aos 25 anos, pontualmente no rosto e com maior incidência nas costas.
"Pensei que fosse algo pontual, talvez uma alergia, e que iria passar, mas a verdade é que não desapareceram completamente. No Verão, melhoram muito e praticamente desaparecem, mas logo a seguir voltam a aparecer", conta Tomás. "Já me mentalizei que é algo crónico."
Reconhecendo que o acne tem algumas implicações na vida pessoal, este comissário de bordo, de Lisboa, sempre encarou o seu problema de pele como algo "inevitável". Já o tratamento, relembra, foi complicado e constrangedor. "Tinha de pôr vários cremes e tomar comprimidos. Quando somos adolescentes, tudo isso nos faz confusão, porém, conforme vamos crescendo, torna-se natural e um mal menor, necessário à boa aparência", diz.
Tomás Caetano começou a ter mais cuidado e a limpar bem a pele com produtos sem álcool e pouco gordurosos. Outro cuidado tem que ver com a exposição ao sol: "Tento não ficar na praia durante as horas de maior calor e uso sempre um protector que não seja muito gorduroso."
PERFIL
Tomás Caetano tem 31 anos, é de Lisboa e trabalha como comissário de bordo. O problema de pele que teve durante a adolescência não ficou completamente resolvido. Hoje mantém cuidados extremos com a limpeza da pele e a exposição ao sol.
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