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O novo elixir da juventude

Idosos a receber transfusões de menores de 25 anos? A luta contra o envelhecimento continua.
Por Marco Alves 15 de Fevereiro de 2020 às 16:20
Contrariar a irreversibilidade do tempo, e da morte, já é uma história demasiado antiga para poder ser contada. As fontes e os elixires da juventude já foram muitos, e a mais recente moda é o sangue de pessoas jovens. Embora não sendo também uma novidade (há relatos de práticas de ingestão vindas da Antiguidade), este "elixir" foi muito falado nos Estados Unidos.

A série Silicon Valley trazia o tema à televisão. O episódio 5 (4ª temporada, já exibida em Portugal) chamava-se The Blood Boy (o rapaz do sangue) e trazia uma cena onde um adolescente fazia uma transfusão de sangue para um homem mais velho. A técnica chama-se parabiose, também não é nova na Medicina, mas ganhou um novo impulso nos últimos anos.

Em 2014, um artigo da revista Science dava conta de uma série de estudos em que era possível detectar um rejuvenescimento através de transfusões de sangue de jovens para velhos. Mas não humanos. "Fornecer a ratos velhos sangue de ratos novos pode reverter alguns sinais de envelhecimento. Uma equipa de investigadores [do Harvard Stem Cell Institute] já identificara um factor de rejuvenescimento no sangue que pensa ser em parte responsável pelo efeito de antienvelhecimento num tecido específico – o coração. Agora, a equipa mostrou que o mesmo factor pode também rejuvenescer músculos e cérebro. E outra equipa descobriu que injectar plasma de ratos novos em ratos velhos pode refrescar a capacidade de aprendizagem", resumia a revista.
O "factor" em causa é a GDF11, uma proteína responsável pela actividade das células estaminais, cuja produção diminui com a idade.

Ambrosia, apetecia-me sangue
Entre séries de televisão e laboratórios, deu muito que falar nos EUA uma clínica chamada Ambrosia. Fundada em 2016 na Califórnia por um médico, Jesse Karmazin, a empresa faculta um litro e meio de plasma por 8 mil dólares (€6.670).

A Ambrosia refere que, pelo menos para já, quer angariar 600 participantes/clientes até Junho de 2018. Quer examiná-los antes e depois de receberem sangue jovem, e daí tirar eventuais conclusões.

A iniciativa correu pelos jornais americanos, com Jesse Karmazin a dizer que já tinha dezenas de pessoas inscritas, todas acima dos 35 anos, idade mínima aceite para receber sangue – que, diz a empresa, vem de menores de 25 anos. A Ambrosia não recolhe o sangue, compra-o em "bancos de sangue" – os mesmo que fornecem as farmacêuticas.

A imprensa dava conta dessa questão ética (além da científica, uma vez que não há evidências em humanos, apesar de haver vários ensaios a decorrer): os dadores não sabem que o seu sangue poderá ir para este fim.
Karmazin refere que a ideia de criar a empresa partiu das notícias referentes aos tratamentos em ratos. Tem também a precaução (provavelmente mais no sentido legal do que ético) de não prometer uma cura para o envelhecimento. Até porque o envelhecimento não é uma doença.

Doping desportivo
Transfusões de sangue usadas por atletas
Lance Armstrong é o caso mais conhecido desta técnica de doping que já vem dos anos 60 e que consiste em extrair sangue em alturas de treino, armazená -lo e depois injectá -lo no corpo em alturas de competição. O objectivo é melhorar o desempenho físico quando ele é mais preciso. Há também já vários casos de transfusões de sangue cujos dadores são terceiros.
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