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Como pode o coronavírus afetar uma mulher grávida?

É possível a transmissão para o feto? As grávidas correm mais riscos? Especialistas pedem que este grupo também seja estudado enquanto se investiga a criação de uma vacina para enfrentar o Covid-19.
Por Cátia Andrea Costa / SÁBADO 3 de Março de 2020 às 10:20
Mulher estava grávida de cinco meses
Mulher estava grávida de cinco meses

Enquanto investigadores e especialistas procuram descobrir a vacina que permita combater o Covid-19, algumas perguntas continuam à espera de esclarecimentos. Uma delas refere-se à relação entre uma mulher grávida e o novo coronavírus, descoberto em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

O Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças recorda que as grávidas "podem ser mais" suscetíveis a infeções respiratórias virais, como o caso deste novo vírus da pneumonia, devido às alterações resultantes da própria gravidez. Mas a ausência de dados sobre mulheres grávidas com o Covid-19, não permite dados mais concretos. "Compreender o curso da infeção em mulheres grávidas é uma questão muito importante que deve ter respostas", defendeu em declarações à Health o investigador do Johns Hopkins Center for Health Security Amesh A. Adalja, que considera essencial que este grupo também seja incluído nos testes antivirais e nas vacinas.

Se uma grávida contrair o vírus pode infetar o feto? Até ao momento, não existem evidências de transmissão in útero, o que não quer dizer que seja um cenário impossível. Ainda assim, Amesh Adalja assume que o maior risco acontecerá após o nascimento, num contacto próximo com uma pessoa que seja portadora do vírus.

Assim sendo, os conselhos dados às mulheres grávidas são idênticos aos da restante população: evitar contacto social com qualquer pessoa com sintomas de gripe ou infeção respiratória superior e consultar um médico caso surjam sintomas de alerta, como congestão nasal, espirros ou tosse.

"Todas as pessoas – grávidas ou não – devem lavar as mãos regularmente e usar desinfetantes", recorda Rebecca C. Brightman, professora  assistente de ginecologia, obstetrícia e medicina reprodutiva na The Icahn School of Medicine: "tape a boca e o nariz ao espirrar, com a manga ou um lenço de papel, e não toque nos olhos, nariz e boca".

O número de mortos e de novos casos de infeção pelo coronavírus Covid-19 na China continental continuou esta terça-feira a abrandar, aumentando 31 e 125, respetivamente, informou a Comissão Nacional de Saúde do país asiático.

No entanto, o número de novas infeções tem aumentado além-fronteiras, sobretudo em Itália, que concentra o maior número de vítimas na Europa, ou na Coreia do Sul, país vizinho da China.

Itália reportou já 2.036 casos positivos e 50 mortes. O país dividiu o território em três zonas por nível de gravidade da epidemia, incluindo a "zona vermelha", que foi colocada em quarentena, e que abrange 11 municípios no norte do país, afetando mais de 50 mil habitantes. As regiões mais afetadas pela epidemia são Lombardia, com 1.077 casos, Emília-Romanha, com 324, e Véneto, com 271 casos.

A nível mundial, o surto de Covid-19, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3 mil mortos e infetou quase 90 mil pessoas em 67 países, incluindo duas em Portugal.

Mais de 90% dos casos foram reportados na China, sobretudo na província de Hubei, onde várias cidades foram colocadas sob quarentena, com entradas e saídas bloqueadas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

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