Negacionista ferrenho da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro vetou esta quarta-feira o envio de uma ajuda de 1535 milhões de euros a estados e cidades para combaterem o Coronavírus. A ajuda tinha sido aprovada no Congresso, mas o presidente vetou o envio, que permitiria aliviar a desesperadora escassez de meios de combate ao Coronavírus, e determinou que esse montante milionário fosse destinado ao pagamento de parte da dívida pública federal.
O dinheiro em causa estava parado há anos num fundo criado ainda no tempo da ditadura militar, em 1966, para ajudar bancos a enfrentarem dificuldades inesperadas. Com a decisão de Bolsonaro e do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de extinguirem os fundos inativos ou desnecessários, em Dezembro do ano passado o presidente enviou ao Congresso um decreto para extinguir este fundo também, determinando que os milhões nele restantes fossem usados na amortização da dívida pública.
Porém, ao analisar e votar o decreto agora, quando a pandemia do Coronavírus já afetava seriamente o Brasil e deixava os estados e as principais cidades à beira do colapso, os parlamentares mudaram a destinação dos milhões. Eles aprovaram a extinção do fundo mas decidiram que, muito mais importante do que pagar parte da dívida pública seria usar o dinheiro para combater o Coronavírus, que está a matar atualmente mais de mil brasileiros por dia.
Bolsonaro, que sempre negou a gravidade da pandemia e tem sido acusado de reter verbas que poderiam ajudar os gestores regionais a enfrentar o Coronavírus para os forçar a suspender as medidas de quarentena que a maior parte adoptou, não aceitou a alteração feita no parlamento e vetou a destinação determinada pelos deputados e senadores. Esta terça-feira, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma investigação contra o governo para saber a razão de até agora só terem sido usados 7% dos recursos milionários destinados ao combate ao Coronavírus mas que nunca saíram realmente dos cofres do Ministério da Saúde e de outros órgãos que os anunciaram mas não entregaram